Reconhecida internacionalmente
Lydia Theresia Möcklinghoff era referência internacional em estudos sobre o tamanduá-bandeira e seguiria para a região de Aquidauana, onde desenvolvia pesquisas de campo
Publicado em 03/07/2026 às 13:46
A zoóloga e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreu na manhã desta sexta-feira (03) na queda de um avião de pequeno porte que tinha como destino a região do Pantanal de Aquidauana. A aeronave caiu pouco depois da decolagem, nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. Também morreu no acidente o piloto Henrique Martins.
Reconhecida internacionalmente pelos estudos sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Lydia dedicava grande parte de sua carreira à pesquisa da fauna pantaneira. Desde o fim dos anos 2000, passava vários meses por ano em Mato Grosso do Sul, acompanhando o comportamento de mamíferos silvestres, especialmente no Pantanal.
Natural da Alemanha, Lydia era zoóloga, ecóloga tropical, jornalista científica, escritora e divulgadora da conservação ambiental. Tornou-se uma das principais especialistas do mundo no estudo do tamanduá-bandeira, sendo uma das primeiras pesquisadoras a realizar o monitoramento de longa duração da espécie em seu habitat natural.
Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e desenvolvia doutorado em Zoologia na Universidade de Bonn, com uma tese voltada à conservação dos mamíferos no Pantanal. Também integrava o Grupo de Pesquisa em Ecologia Tropical do Museu de Pesquisa Zoológica Alexander Koenig, na Alemanha, além da unidade de pesquisa em bioacústica computacional CO.BRA.

Seu trabalho buscava compreender o comportamento, o uso do habitat, as ameaças e as estratégias de conservação do tamanduá-bandeira, espécie considerada vulnerável à extinção. Além da atuação científica, Lydia era autora de livros sobre vida selvagem, palestrante, jornalista científica e colaborava com documentários e produções audiovisuais voltadas à biodiversidade brasileira.
Segundo informações divulgadas após o acidente, a pesquisadora havia saído do Rio de Janeiro na quinta-feira (02), passou a noite em Campo Grande e seguiria para o Pantanal de Aquidauana na manhã desta sexta-feira para dar continuidade às pesquisas de campo que desenvolvia na região.
O avião de pequeno porte caiu poucos instantes após a decolagem e foi localizado em uma área de mata, a cerca de 50 metros do ponto de partida. Conforme informações preliminares, a aeronave explodiu após atingir o solo. As causas do acidente ainda serão investigadas pelas autoridades.
De acordo com o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave de matrícula PT-WYQ era um modelo Neiva EMB-810D, fabricado em 1983, com situação regular e CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) válido até junho de 2027.
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