DIREITOS HUMANOS
Equipes da Força Nacional atuam em três comunidades Guarani Kaiowá; comitiva ministerial deve visitar aldeias neste sábado
Publicado em 30/10/2026 às 15:31
Após ameaça de veneno na água, Força Nacional patrulha aldeias de MS / Ministério dos Povos Indígenas/Divulgação
A Força Nacional iniciou o patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul diante de denúncias recentes de ameaças e episódios de violência contra os povos Guarani e Kaiowá. A mobilização também levou o governo federal a organizar uma visita de três ministros ao estado, prevista para este fim de semana, para acompanhar a situação diretamente nos territórios.
Em publicação nas redes sociais, o ministro dos Povos Indígenas, o aquidauanense Eloy Terena, informou que as equipes estão nas comunidades Sassoró, Taquapery e Limão Verde.
De acordo com informações da Agência Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) acionaram a PF (Polícia Federal) para investigar as denúncias. Uma força-tarefa interministerial também foi criada para receber os relatos, centralizar informações e acompanhar as providências.
A comitiva federal será formada por Eloy Terena, pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. A previsão divulgada é que os representantes cheguem a Dourados nesta sexta-feira (30). No sábado (31), devem visitar as aldeias Taquapery, em Coronel Sapucaia, e Sassoró, em Tacuru.
A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) afirma ter contabilizado mais de 30 casos de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul relacionados ao período eleitoral. Os relatos incluem ameaças, ataques e atropelamentos, alguns com mortes. As denúncias estão sendo encaminhadas às autoridades para apuração, e nem todos os episódios tiveram confirmação até o momento.
Entre os casos que provocaram preocupação está o incêndio na casa de Ñandesy Roberta, uma rezadeira de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, nesta quinta-feira (29). Segundo a Apib, além da residência, foram destruídos instrumentos sagrados utilizados em rituais tradicionais dos povos Kaiowá e Guarani. A comunidade suspeita que o incêndio tenha sido criminoso.
Outro episódio envolve áudios atribuídos a servidores públicos municipais de Tacuru. Em uma das gravações, um homem sugere envenenar a água que abastece uma comunidade indígena. Em outra, um servidor profere ofensas e ameaças contra indígenas. A prefeitura informou o afastamento temporário de um dos envolvidos e a abertura de procedimento administrativo para apurar a conduta.
O MPF (Ministério Público Federal) também acompanha as denúncias. Em nota, o órgão informou que instaurou procedimentos para verificar os relatos e contribuir com a proteção dos territórios indígenas. Em um dos casos, em Naviraí, o Ministério Público concluiu que denúncias de supostos homicídios relacionados a conflitos políticos eram boatos e que imagens fora de contexto haviam sido associadas falsamente a um ataque.
Além do patrulhamento da Força Nacional, o governo federal informou que trabalha para centralizar as denúncias recebidas de diferentes regiões. Segundo Eloy Terena, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou às corregedorias estaduais e do Distrito Federal informações sobre os casos registrados, para que sejam reunidas e encaminhadas às instâncias responsáveis.
A força-tarefa reúne os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial. A atuação inclui diálogo com as comunidades, acompanhamento das ocorrências e articulação com os órgãos de investigação.
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