dothCom Consultoria Digital
Publicado em 21/12/2007 às 09:28
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Cerca de 150 presos do complexo penitenciário de Campo Grande foram 'despejados' na Colônia Penal Agrícola durante toda a quinta-feira. A unidade tem capacidade para abrigar 80 pessoas e com mais essa leva já tem 750. Embora a progressão da pena seja um direito do interno, a total falta de estrutura da unidade prisional contraria todos os princípios legais, diz o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso do Sul, Fernando Anunciação.
A situação da Colônia Penal reúne fugas, denúncias de roubos e furtos praticados por internos e até homicídio - a polícia investiga o assassinato do preso Anderson Veiga, 29 anos, no último fim de semana. "Os presos são despejados sim, mas o Judiciário faz a parte dele, infelizmente o Executivo não faz a dele. Falta tudo. Não tem estrutura de fiscalização. Os detentos estão em condições subumanas. O governo está se empenhando", frisa o agente penitenciário.
Clima
Nesta tarde, policiais militares da Companhia de Guarda e Escolta levaram de ônibus e furgão os detentos para a colônia. Quem estava no local assistia a chegada dos novatos. Gritos de cumprimentos foram ecoados. Funcionários da Colônia Penal pediram para o Midiamax deixar o espaço público e alegaram que a imprensa não pode entrar mais no local. Nos últimos meses notícias sobre a unidade foram quase diárias na imprensa.
Porém, no local a reportagem constatou um aparente clima de tranqüilidade. Alguns detentos estavam sob o arvoredo na entrada da unidade, semelhante a uma chácara ao longe cercada de um tímido parque industrial. Outros, jogavam futebol.
O motivo da 'calmaria' seria o fato de que cerca de 70% dos 600 detentos que já cumprem pena no regime semi-aberto terem conseguido o indulto de Natal. Eles deixam o presídio na sexta-feira (21) às 18 horas e retornam no dia 2 de janeiro às 8 horas. No indulto há a possibilidade do preso ter o crime perdoado.
"Minha família mora em São Paulo, fui presos pelo artigo 12. Vou passar o Natal aqui mesmo", diz o recém chegado Sebastião Israel, 54 anos. Preso por tráfico de drogas cumpriu um ano e cinco meses de condenação no regime fechado. Outro que não vai fazer parte do indulto é o peruano Davi de la Veiga, 32 anos. Também preso por tráfico de drogas (cocaína) está há 3 anos no Estado onde divide a pena entre o regime fechado e agora, o semi-aberto. "É impossível recuperar um detento nesta situação", diz.
Porém a tensão natural do ambiente veio à tona quando a reportagem já deixava o local. "Se vocês colocarem foto do rosto de preso vão ter problema", disse em tom de aviso um dos detentos recém-chegados.
'Despejados'
"Aqui não tem condição mais de receber ninguém. Não há alojamento as condições de água e comida são péssimas. Despejam eles ai e a gente tem que cuidar e quem perde é a sociedade. A gente fica por conta disso", lamenta um dos policiais militares que acompanhou a escolta. Ele pediu sigilo do nome e disse que o fim do ano as escalas de trabalho exigem sacrifício de todos os PMs.
Segundo o diretor da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), coronel da PM (Polícia Militar) Hilton Villasanti Romero, as transferências dos presos do regime-fechado para a Colônia Penal Agrícola de Campo Grande é uma rotina e acontecem semanalmente.
Ainda de acordo com Villasanti, somente os presos que foram transferidos até o dia 20 de novembro serão beneficiados com o indulto de Natal, que inicia no dia 21 de dezembro, porque é necessário ter cumprindo pelo menos 30 dias de progressão para ter direito ao benefício. Romero garante que a situação está sob controle.
Já Anunciação acredita numa solução rápida para o problema e resume a crise instalada no sistema semi-aberto. "Ta no limite! Tanto é que mataram um e queimaram. Isso um Estado jamais poderia admitir. Quem paga por isso é a sociedade", finaliza.
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