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PF temia fuga de membros do Hezbollah

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O libanês Farouk Abdul Hay Omairi, 62 anos, também conhecido como Roberto, e seu filho Kaled Omairi, 32, condenados por tráfico internacional de drogas em agosto do ano passado, foram transferidos de Foz do Iguaçu (PR) para o presídio federal de Campo Grande no dia 16 deste mês, porque as autoridades federais e estaduais do oeste do Paraná temiam que eles escapassem de qualquer presídio daquela região, até mesmo da unidade federal de Catanduvas (PR), cujo projeto é semelhante ao do campo-grandense. Farouk é acusado pelos Estados Unidos de comandar na região da Tríplice Fronteira o partido político libanês Hezbollah, organização considerada terrorista pelo Governo norte-americano.


A juíza federal em Foz do Iguaçu, Rafaela Santos Martins, afirmou em seu pedido de transferência que a colocação de Farouk e Kaled em cadeias ou penitenciárias da região de Foz do Iguaçu representaria um risco "concreto de fuga". Ela cita que Farouk, quando esteve preso na cadeia daquela cidade, "beneficiou-se de um equívoco" no cumprimento de mandados para fugir e permanecer foragido durante o trâmite do processo em que foi condenado a 11 anos e 8 meses de prisão.


No mesmo pedido de transferência, a juíza federal na cidade paranaense alega que o presídio federal de Catanduvas - município distante 100 quilômetros de Foz do Iguaçu - não seria um lugar seguro por causa dos contatos que Farouk e o filho possuem na Tríplice Fronteira.


O libanês, que é proprietário de uma agência de turismo, foi preso em 2006 pela Polícia Federal na Operação Camelo. Ele, Kaled e seu outro filho Ahmad Farouk Omairi, segundo a PF, comandavam um esquema de remessa de cocaína para Amã, capital da Jordânia.


O trio centralizava o esquema de tráfico internacional na agência de turismo, e por meio dela facilitavam a obtenção de vistos e passaportes para as mulas (transportadores de droga).


Entre dezembro de 2005 e fevereiro de 2006, a Polícia Federal prendeu seis pessoas que viajavam a serviço do libanês nos aeroportos internacionais de Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Foz do Iguaçu. Estas ocorrências resultaram na apreensão de mais de 20 quilos de cocaína, droga que sempre era escondida em fundos falsos de malas, ou embalada em pacotes presos ao corpo das pessoas.


Em agosto do ano passado, Farouk e Kaled foram condenados a 11 anos e 8 meses de prisão. Ahmad, que está foragido desde 2006, foi submetido a pena de 9 anos e 7 meses de prisão.


Terrorismo
Em dezembro de 2006, Farouk e outros oito libaneses foram apontados pelo Governo norte-americano como coordenadores do Hezbollah na Tríplice Fronteira. O dono da agência de turismo é acusado de ter obtido ilegalmente as cidadanias brasileira e paraguaia.


O libanês, que cumpre pena no presídio federal de Campo Grande, também é apontado pela polícia da Argentina como um dos envolvidos no atentado terrorista contra a Associação Mutual Israelita de Buenos Aires, em 1994. Na ocasião, 85 pessoas morreram e outras 300 ficaram feridas. A investigação do país vizinho também apontou que o ataque foi praticado pelo Hezbollah, sob encomenda do Governo do Irã.

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