Um acidente no mínimo curioso está sendo investigado pela polícia de São Paulo: um motorista apenas identificou que havia atropelado um homem não identificado quando chegou em casa e descobriu o corpo da vítima, já morta, dentro de seu carro. O motorista então chamou o resgate e a polícia. "É um caso inusitado, mas não totalmente impossível", diz o delegado titular do 87º Distrito Policial, onde o caso foi registrado, Pietrantonio Minichillo de Araújo.
O motorista seguia pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na altura da Avenida Otaviano Alves de Lima, por volta das 6h20 de sábado (21). Segundo a polícia, ele afirmou que tentou desviar quando uma pessoa surgiu subitamente na via, e sentiu apenas um forte impacto na frente do carro, além de estilhaços no vidro traseiro. O motorista ainda teria olhado pelo retrovisor e não visto nada, nem mesmo a vítima no chão.
De acordo com a polícia, o homem relatou que é comum que ladrões joguem pedras e tijolos nos carros na região onde aconteceu o acidente, para que os motoristas parem e sejam roubados. Por isso, ele seguiu para casa, onde encontrou, com a ajuda de um vizinho, o corpo entre o banco traseiro e o banco do passageiro.
"Estamos esperando o resultado da perícia, que deve comprovar com a ajuda de um físico, se preciso, a possibilidade do corpo ter entrado no carro após o atropelamento", explica o delegado. Ele também conta que o relato de uma testemunha, já ouvida pela polícia, deve ajudar no esclarecimento do caso.
A testemunha ligou para a polícia após ter visto o atropelamento e afirmou que o pedestre entrou na via sem olhar para os lados. Segundo o delegado, ela afirmou que o motorista diminuiu a velocidade e tentou desviar, e que depois do choque não foi possível mais ver o corpo da vítima.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e já foi instaurado inquérito. Além da perícia, também foi feito um exame de dosagem alcoólica do motorista.
"Pela minha experiência, isso pode ter acontecido. Também pelo relato da testemunha, que não tem nenhum vínculo com o motorista, e ligou para a polícia espontaneamente. Mais o relato todo da história, do motorista, só se a perícia negar a possibilidade que vamos pensar em outra linha", afirma o delegado.