dothCom Consultoria Digital
Publicado em 03/07/2008 às 09:14
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A venda de produtos superfaturados na cantina do EPSM (Estabelecimento de Segurança Máxima) Jair Ferreira de Carvalho seria uma das maneiras de "alimentar" a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
O Midiamax teve acesso à fotografia que mostra o problema levantado em março após a vistoria feita pelos parlamentares da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Sistema Carcerário aos presídios da cidade.
Até um "Feliz Natal" do PCC aos presos da Máxima foi flagrado e fotografado pelos parlamentares. O cumprimento com letras de forma em papel laminado estava numa das salas da recepção do prédio do EPSM. "Perguntamos aos agentes o que era aquilo e foi-nos dito que o PCC ajuda a segurar a massa. Na Máxima ficou claro a atuação do PCC e o problema das cantinas já consta no relatório", disse o relator da comissão, deputado Domingos Dutra (PT-MA).
Para Dutra o problema indica o resultado da ausência do Estado e o fortalecimento da facção criminosa. Se uma água mineral custa R$ 1,50 na cantina da Máxima era vendida por R$ 3 aos detentos.
O parlamentar acredita que o problema vai além. A ociosidade da massa carcerária, a venda de produtos superfaturados nos presídios e o fato da comissão ter se deparado com os presos do regime semi-aberto, que em tese estariam prontos para voltar para a sociedade, em condições subumanas na Colônia Penal Agrícola levam a crer que há um sistema viciado que alimenta uma situação de ilegalidade.
Ontem, um dia antes da data marcada para o retorno das diligências dos parlamentares à Capital, foi publicada a abertura da sindicância para apurar a venda dos produtos superfaturados tanto na "Máxima" como também, na Colônia Penal Agrícola.
Suspeitas
"A corrupção é uma suspeita observada em todos os presídios visitados é generalizado. Por que não há um esforço do Estado para colocar o preso para trabalhar? Na Colônia Agrícola de vocês encontramos 37 hectares sem um pé de tomate plantado. Por que?".
Outro lado
A direção do presídio informou que as duas cantinas passaram por reforma após a rebelião de 2006 e que hoje, um funcionário do presídio cuida da cantina e inclusive, há tabelas de preço. Sobre o "Feliz Natal" do PCC, a informação é de que foi uma montagem dos presos ao saber da visita da CPI.
O diretor de Operações da Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária), Luiz Carlos Ojeda disse que a sindicância deverá apurar toda a situação.
A assessoria da Agepen informou ao Midiamax que a sindicância publicada ontem no Diário Oficial do Estado ocorreu por conta da vinda da CPI e agora, a intenção é normatizar através de concessão ou permuta o funcionamento das cantinas. O processo já está na PGE (Procuradoria Geral do Estado). A Agepen desconhece a denúncia de superfaturamento ou da venda ser feita pelos membros do PCC.
Agentes
Para o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Luiz Fernando Anunciação a CPI foi uma forma de ouvir as reivindicações de toda a categoria. São pelo menos 1,1 mil agentes. "A publicação da sindicância sobre os problemas da cantina ocorreu depois da CPI. Antes dela vir para cá nós já tínhamos denunciados os problemas dos presos dormindo com os porcos e tudo isso que a CPI denunciou", diz.
"Após a rebelião e a quebradeira na Máxima em 2006 mandaram R$ 1 milhão para a instalação de circuito de vídeo e TV. Isso ajudaria a gente a fazer a segurança, mas o que foi feita com o dinheiro da cantina foi a instalação de uma câmera no corredor", diz.
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