dothCom Consultoria Digital
Publicado em 05/09/2008 às 07:42
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A execução de um animal, pertencente à tropa da Cavalaria do 7º Batalhão da Polícia Militar de Aquidauana, traumatizou crianças e chocou a comunidade do bairro Nova Aquidauana, na tarde de sexta-feira, 29.
Um cavalo, vítima de brucelose (doença infecciosa) foi executado com seis tiros no posto policial do bairro, na presença dos moradores e crianças que residem em frente à unidade policial, sito à Avenida Mato Grosso com a Rua Timóteo Proença.
A informação foi repassada pelo vereador Cipriano Mendes Costa (PT) da tribuna da Câmara Municipal durante sessão plenária. Ele, que também mora no bairro, disse que a cena causou revolta na população em razão dos métodos cruéis usados por dois policiais militares para sacrificar o animal, que havia sido condenado por um veterinário da cidade, após apresentar um laudo médico requisitado pelo comandante da PM, coronel Edgar Júdice Teixeira.
"Dois policiais, cada um com revolver na mão, atiraram na cabeça do cavalo. Eles (os PM's) esperaram por alguns minutos, como o animal não caia, tornaram a disparar os tiros, e ai começou a pingar sangue pelo nariz do cavalo", contou o vereador.
O parlamentar, que é diabético, chocado com aquela cena, confessou que se sentiu mal e precisou ficar deitado numa cama por cerca de 40 minutos até se recuperar do abalo emocional.
Segundo Cipriano, o animal agonizou durante 30 minutos sob os olhares atônitos de crianças que assistiam o sacrifício brutal do cavalo. O vereador contou, ainda, que chegou a acionar o 190 para denunciar o que ele chamou de "barbaridade". Como o número de pessoas aumentou próximo ao local do abate e o animal não morria, o parlamentar disse que uma pá-carregadeira foi usada para ajudar a sacrificá-lo. "Bateram com a maquina, o animal caiu, porém depois de alguns minutos ele levantou com a perna quebrada e, ainda vivo, foi transportado em um caminhão caçamba para o aterro sanitário", denunciou o vereador ao criticar a execução do bicho em público.
Para ele, o abate deveria ser feito num piquete longe das crianças.
Ele entende que a ação dos policiais foi infeliz e como agente político espera que o Comando determine medidas administrativas em função do clima de revolta que se instalou nos moradores do bairro.
Contudo, o vereador reconhece o trabalho da PM no bairro e garante que incentivou e lutou para a implantação do posto policial no Bairro Nova Aquidauana.
Versão da PM
O coronel Edgar Júdice Teixeira, comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar de Aquidauana, em entrevista concedida a Radio Difusora, reiterou por várias vezes o seu pedido de desculpas a comunidade do bairro Nova Aquidauana pela "ação drástica e cruel" usada para sacrificar o animal na presença dos moradores.
De acordo com o comandante, a brucelose é uma doença infecciosa, grave e incurável, que coloca em risco a saúde de outros animais e, sobretudo, da população.
O laudo expedido pelo médico veterinário, conforme declarações do comandante, recomendava que o animal deveria ser sedado antes de ser transportado e sacrificado no aterro sanitário municipal. Ocorre, porém, que o cavalo não reagiu ao sedativo e colocou em risco a integridade física dos policiais, que, para se defenderem das mordidas, foram obrigados a disparar os tiros.
"Não gostaria que tivesse ocorrido desta maneira", resumiu o coronel com pedidos de desculpas ao afirmar que o cavalo prestou relevantes serviços a Polícia Militar e que os policias os tratava como se fosse da casa deles.
"Eles (os policiais) tiravam do bolso medicamento e alimentação para esse animal", completou o comandante ao reafirmar que infelizmente a ação aconteceu e que não teria outra alternativa para eliminá-lo.
Iramar Ferreira
Estagiário
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