Policial
O empresário Marcos Valério, preso nesta sexta-feira em Minas Gerais durante uma operação da Polícia Federal, será transferido ainda hoje para São Paulo. A PF ainda aguarda o avião da instituição chegar a Belo Horizonte para levar o empresário.
O advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, já está em São Paulo para acompanhar o andamento o processo. Ele explicou à Folha Online que primeiro pretende ter acesso ao inquérito e à decisão que resultou a prisão do empresário antes de entrar com habeas corpus.
Leonardo disse que conversou com Valério em Belo Horizonte, mas preferiu não comentar como estava seu cliente. "Não vou fazer juízo de valor", afirmou.
Além de Valério, foram presas outras 16 pessoas, entre despachantes aduaneiros, advogados, policiais civis e federais e empresários, acusados de extorsão, fraudes fiscais e corrupção.
A operação, batizada de Avalanche, cumpriu 17 mandados de prisão (oito preventivas e nove temporárias) e 33 mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Segundo a PF, o grupo foi dividido em três núcleos distintos, mas interligados: o primeiro grupo, através de contatos em órgãos públicos (Polícia Civil e Federal, Receita Federal e Estadual), é suspeito de obter informações privilegiadas sobre determinados empresários que apresentavam problemas junto ao fisco e com base nesses dados, praticariam extorsão, exigindo valores em troca de possível solução.
O segundo grupo atuaria em fraudes fiscais visando praticar importações ilegais por meio de empresas de fachada, contando com a ação de despachantes aduaneiros junto ao Porto de Santos.
O terceiro grupo, de acordo com a Polícia Federal, teria sido identificado no momento em que uma empresa que havia sido autuada pela Receita Estadual em mais de R$ 100 milhões, teria se utilizado, como tática de defesa, da desmoralização dos fiscais responsáveis pela autuação através da instauração de inquérito policial com base em fatos inverídicos.
A PF informou que, durante as buscas, foram apreendidos documentação e mídias, além de R$ 500 mil. O grupo poderá responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, extorsão, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, quebra de sigilo e divulgação de dados sigilosos.
Valério foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como o operador do mensalão --esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.
José Dirceu
O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), cassado após seu envolvimento no escândalo do mensalão, comentou hoje a prisão de Valério e aproveitou a ocasião para descolar sua imagem a de Valério e do escândalo.
"A justiça decretou a prisão e a PF (Polícia Federal) cumpriu a ordem judicial. Então cabe a ele se defender perante a justiça. É o comentário que eu posso fazer, porque quem responde por isso é ele, o cidadão Marcos Valério", afirmou Dirceu hoje durante a 12ª edição da Caravana da Anistia, no Memorial da Resistência, em São Paulo.
"Eu, como ficou provado nos autos, nunca tive relação com o Marcos Valério, nunca sequer me envolvi com ele pessoalmente, nunca tive nenhuma participação direta ou indireta, nada que possa me levar a sofrer uma condenação. Por isso que eu quero ser julgado [...] e o que tudo indica é que vai ficar para 2008, 2012. Eu quero ser julgado o mais rápido possível", disse Dirceu.
Saúde
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