dothCom Consultoria Digital
Publicado em 12/08/2009 às 08:05
Atualizado em 10/09/2026 às 13:55
Diálogos telefônicos interceptados pela Polícia Federal mostram, segundo a PF, que os suspeitos de envolvimento com fraude em licitações do PAC em Cuiabá e Várzea Grande (MT) ofereciam "vantagens econômicas" para impedir a concorrência e assegurar que as obras fossem direcionados em benefício do esquema.
Parte das transcrições foi reproduzida na decisão do juiz Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara da Justiça Federal, que determinou a prisão de 11 pessoas que, segundo a PF, estão diretamente envolvidas com o suposto esquema.
Entre elas estão o procurador-geral da Prefeitura de Cuiabá, José Antônio Rosa, e os empresários Carlos Avalone Júnior (vice-presidente da Federação das Indústrias de MT), Marcelo Avalone, Anildo Lima Barros (ex-prefeito de Cuiabá) e Jorge Pires de Miranda.
Os quatro empresários são donos ou têm ligação com empresas do consórcio Cuiabano, vencedor de lotes de obras previstas pelo PAC em Cuiabá e Várzea Grande --em um total de R$ 400 milhões em investimentos, principalmente em obras de construção e ampliação de redes de água e esgoto.
Num diálogo de fevereiro de 2008, Lima Barros convence o empresário Mauro Mendes (presidente da Federação das Indústrias de MT) a desistir de participar da licitação.
"Eu acho que você não é bem desse metiê, é melhor você ficar fora dessa guerra [...] vai ficar ruim pra você, sai fora [...] vai se queimar, não vai levar e se levar vai ser pior [...] se não sair para nós não sai para ninguém, nem para Cuiabá, nem para porra nenhuma", disse o ex-prefeito.
Minutos depois de falar com Mendes, Barros ligou para a Pires de Miranda e relatou o resultado da conversa. "Eu falei para ele [...] você é um menino que tem um futuro brilhante pela frente, não entra nessa que você vai arrumar confusão pro resto da sua vida [...] aí ele disse: então eu vou sair desse troço."
Três meses depois daquela conversa, Mendes seria oficializado como o candidato do PR à prefeitura de Cuiabá --chegou ao segundo turno, mas perdeu para o tucano Wilson Santos.
Com o auxílio de informantes infiltrados nas comissões de licitação dos dois municípios, diz a PF, o grupo sabia antecipadamente quais as empresas interessadas em participar da concorrência. E agiam imediatamente para abortar qualquer tentativa de intromissão.
As escutas permitiram que a PF acompanhasse negociações envolvendo empresas de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Distrito Federal.
Outro lado
O empresário Mauro Mendes disse ontem que o diálogo interceptado pela Polícia Federal não influenciou sua decisão de não participar da concorrência para as obras do PAC em Cuiabá. "Eu entendi como uma consulta. Não me senti coagido ou pressionado", disse.
Empresário do ramo de esquadrias e estruturas metálicas, Mendes disse que comprou o edital para se informar a respeito das obras. "Foi quando percebi que a demanda por estruturas metálicas seria muito reduzida e não compensaria."
A decisão já havia sido comunicada "a outras pessoas", disse Mendes, antes mesmo do telefonema do ex-prefeito Anildo Lima Barros.
A reportagem não conseguiu contato com o advogado Marden Tortorelli, que defende Barros. À tarde, seu celular esteve desligado ou fora da área de cobertura. Um recado foi deixado em seu escritório, mas ninguém ligou de volta até a conclusão desta edição.
Anteontem, Tortorelli criticou a prisão de seu cliente e disse se tratar de uma medida "totalmente desnecessária".
A reportagem procurou o escritório do advogado José Carlos Pires, que defende os empresários Marcelo e Carlos Avalone, mas sua secretária informou que ele não iria comentar o caso. O advogado Ulisses Rabaneda, que defende o procurador-geral, José Antônio Rosa, disse que as transcrições da PF mostram gravações "fora de contexto" e são avaliadas de forma "tendenciosa".
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo