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Detidos PMs suspeitos de envolvimento na morte de paraguaia

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Estão detidos na sede do 4º Batalhão de Polícia Militar de Ponta Porã os dois soldados suspeitos de envolvimento no tiroteio que causou a morte da jovem paraguaia Romina Rolon, atingida por disparo de arma de fogo na madrugada de ontem. Em nota, a Polícia Militar assegura que as armas dos dois soldados foram recolhidas e a viatura em que eles estavam também foi retida ao pátio para vistoria. O comando instaurou um inquérito policial militar com base no relatório dos PMs e nos depoimentos de testemunhas para apurar o caso.


A morte da jovem pode gerar um sério incidente diplomático entre os dois países. A suspeita é de que a PM tenha invadido território paraguaio em perseguição ao carro em que estavam cinco jovens, uma Parati branca, sem placas, e no tiroteio Romina tenha sido atingida.


Na Parati estavam Delia Fernández Fernández , Andrea Olivera, Diego José García, Gerardo García e Romina Rolon. Gerardo conduzia o carro. Segundo disseram à Polícia Paraguaia, eles foram abordados na avenida Brasil por policiais militares, por volta das 2h15 de domingo. Como o carro estava sem placas e os PMs viram que todos eram paraguaios, mandaram que saíssem imediatamente do Brasil.


Os jovens disseram que imediatamente obedeceram à ordem e rumaram ao Paraguai, distante apenas dois quarteirões. Mas ao cruzarem a linha internacional, avistaram outra viatura da PM, um Corsa, que saiu em perseguição à Parati, invadindo o território paraguaio. Os PMs teriam feito vários disparos contra a Parati, sendo que um tiro atingiu Romina Rolón, que foi levada ao hospital, mas acabou morrendo.


Testemunhas teriam afirmado que a viatura da PM avançou até a avenida Tenente Herrero, em território paraguaio, na perseguição à Parati. Assim que soube dos fatos a promotora Blanca Alonso foi até o Batalhão da PM e conversou sobre o assunto com o comandante, tenente Gilberto Santos. Essas informações são da imprensa de Pedro Juan, postadas no site Amambay Notícias.


Outro lado


Em nota, a Polícia Militar tem versão diferente do caso. A Parati teria sido abordada na rua Tiradentes (e não na Avenida Brasil) e os soldados disseram que o veículo, além de estar sem placas, transportava número excessivo de passageiros (eram cinco pessoas, segundo disseram os jovens à Polícia paraguaia).


Os PMs contam, no relatório da ocorrência, que sinalizaram ao veículo a parar. Ao invés disso, o motorista da Parati teria arremetido contra um dos policiais e fugiu rumo ao Paraguai. "A equipe policial saiu incontinente em sua perseguição, havendo vários disparos de arma de fogo vindos do veículo em fuga, sendo que um deles perfurou a porta direita da viatura dos policiais", diz a nota.


Os PMs revidaram aos tiros. Disseram que dispararam quatro vezes contra os pneus da Parati, mas erraram todos os tiros. Quando a Parati atingiu o território paraguaio, a perseguição teria cessado, afirma a nota. A ocorrência foi, então, repassada via rádio com a solicitação de que fosse comunicada outras viaturas e a Polícia Nacional do Paraguai sobre o ocorrido. Os PMs asseguram que os ocupantes da Parati estavam armados e fizeram disparos contra a viatura.


A nota confirma que, por volta das 3h da madrugada de ontem, o comando da PM "foi informado extraoficialmente por um Comissário daquele País , que os policiais militares haviam efetuado disparos de arma de fogo em direção ao veiculo Parati e alvejado uma pessoa de cidadania Paraguaia, do sexo feminino, que teria vindo a óbito. De imediato foi solicitado que a Polícia Nacional do Paraguai comunicasse oficialmente o fato à Polícia Militar, com o devido encaminhamento dos documentos probatórios".


O pai da vítima também foi ao Comando da PM de Ponta Porã buscar informações sobre o ocorrido. Segundo a nota da PM, o homem (cujo nome não foi divulgado) teria dito que "os rapazes que ocupavam o veiculo Parati teriam ingerido grande quantidade de bebida alcoólica". Ainda conforme a nota da PM, os componentes da Parati "encontram-se detidos no Paraguai a disposição da Promotoria Paraguaia (Fiscalia)".

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