A Polícia Federal deve se manifestar oficialmente nas próximas horas sobre o crime de extorsão, envolvendo inclusive servidores federais e um contabilista, ocorrido na quinta-feira passada em Dourados. A ação foi praticada contra um estabelecimento do ramo de lubrificantes.
De acordo com fontes contatadas pelo Dourados News, a loja comercial foi visitada na tarde de quinta-feira por um policial federal e um servidor da Receita Federal, a pretexto de investigar a existência de um suposto depósito de éter, substância que é utilizada para o refino da cocaína, e eventuais irregularidades contábeis na empresa.
Como não comprovou a existência do depósito da substância, os servidores passaram a atuar em outro campo, exigindo inicialmente R$ 200 mil do empresário para “encobrir algumas coisas”, de acordo com expressões utilizadas durante a ação. O contabilista da empresa, acionado por sugestão dos próprios servidores federais, concordou que seria conveniente o pagamento da “propina”, que acabou sendo estipulada em R$ 12 mil.
Fechado o “acordo” na tarde de quinta-feira, o comerciante comunicou o fato à Polícia Federal na manhã de sexta-feira, quando foi montado o flagrante para a entrega do dinheiro. No local escolhido, o escritório do contabilista, próximo a um hotel da cidade, a polícia prendeu em flagrante o funcionário da Receita Federal que, de posse do dinheiro, confirmou mais tarde, em depoimento, que o negócio envolvia as três partes, incriminando o policial e o contador. Todos já foram ouvidos na delegacia federal, onde o servidor da Receita permanece detido.
O inquérito que é conduzido sob a supervisão do delegado titular da PF em Dourados, Bráulio César Galloni, ainda prevê a coleta de novas informações para amanhã, quando serão ouvidas testemunhas ligadas à empresa vítima de extorsão, ao escritório contábil e também junto à Receita Federal.
Como ainda não existe uma manifestação oficial por parte da PF, os nomes de todos os envolvidos estão sendo preservados.