O jogador Adriano deixou a 38ª DP (Brás de Pina) por volta das 18h desta quinta-feira, onde prestou depoimento à Polícia Civil por cerca de uma hora. O Imperador não quis falar com os jornalistas ao sair da delegacia. Ele chegou acompanhado de seus dois advogados.
Adriano é suspeito de ter repassado R$ 60 mil ao traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, chefe das bocas de fumo da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, onde o jogador nasceu e foi criado. O nome do atleta aparece no inquérito 6.284/2009 da 38ª DP (Brás de Pina) como acusado desse repasse.
Ao delegado titular da 38ª DP (Brás de Pina), Luiz Alberto Andrade, Adriano confirmou o saque e disse que o dinheiro é referente ao pagamento de cestas básicas para a comunidade da qual ele e a mãe fazem caridade há 7 anos. A polícia, então, irá fazer o cruzamento das informações, através da quebra dos sigilos bancário e telefônico, e diz que, num primeiro momento, não tem indícios para incriminar o jogador.
A ordem para que Adriano prestasse depoimento na 38ª DP veio do delegado Ronaldo Oliveira, diretor do Departamento de Polícia Especializada.
Depoimento no MP
Ontem, o jogador prestou depoimento ao Ministério Público e à noite recebeu outra intimação. Durante depoimento, que durou certo de duas horas, Adriano foi questionado sobre o nível de relacionamento com FB; se manteve contatos telefônicos com ele; se entregou qualquer quantia em dinheiro, bem ou valor a FB; se fez uma retirada de R$ 60 mil, em dezembro de 2009, e repassou a quantia a FB; se frequenta o Complexo da Penha; se conhece algum traficante que explora o comércio de entorpecentes; e se já colaborou, direta ou indiretamente, com o Comando Vermelho.
O Ministério Público do Rio pedirá à Justiça a quebra do sigilo telefônico e bancário de Adriano, por considerar como 'gravíssimos' os fatos que põem o jogador como suspeito e que há fortes indícios de que ele tenha repassado dinheiro ao traficante, como O DIA noticiou com exclusividade esta semana.
O promotor também perguntou a Adriano que motivos o levaram a posar para fotografias fazendo gestos que representam as iniciais do Comando Vermelho, como publicou o jornal O DIA com exclusividade; se vinha sendo vítima de crime de extorsão e se poderia identificar o autor das ameaças; o que era exigido e se houve comunicados em relação ao ocorrido às autoridades policiais. O atacante respondeu, ainda, se possuía armas de fogo e se tem programada alguma viagem para o exterior.