O ex-Secretário de Governo do prefeito Ari Artuzi (PDT) foi o grande responsável pela mega operação deflagrada pela Policia Federal nesta quarta feira em Dourados, que levou para a prisão o chefe do executivo, seu vice, Carlinhos Cantor, oito dos doze vereadores, secretários, empresários, empreiteiros num total de 28 presos até agora (confira lista abaixo).
Após a coletiva do delegado da Policia Federal que comandou a Operação Uragano (furacão, em italiano), Bráulio César Galone, às 15 horas desta quarta feira (01), Eleandro Passaia revelou a imprensa que a partir do momento que assumiu o cargo, foi informado por Artuzi sobre como funcionava o esquema.
Preocupado, ele teria enfrentado um dilema: ou saia fora ou procurava a Policia Federal. Assim, optou por colaborar com a PF, desde maio de 2010, quando várias conversas teriam sido gravadas, algumas das quais ganharam espaço na mídia do país ao longo desta quarta feira, especialmente na Rede Record de MS, emissora para a qual Passaia já trabalhou, como jornalista.
Segundo Passaia, o prefeito de Dourados explicou que recebia no mínimo 10% em todos os contatos, que eram direcionados para uso próprio. Com o dinheiro, Ari comprava bens para uso próprio e subornava vereadores. De acordo com o ex-Secretário, em entrevista concedida a Grande FM, após a coletiva, o esquema também teria funcionado na administração anterior, do petista Laerte Tetila, conforme informações que ele gravou e que estão nas mãos da Policia Federal.
Em meio as várias perguntas feitas pelo batalhão de jornalistas que compareceu ao prédio da PF, Passaia revelou que outras pessoas estariam envolvidas nos esquemas, algumas das quais ainda nesta quarta feira apareceram na mídia dando entrevistas como se não tivessem envolvimento.
Perguntado sobre o montante que teria sido desviado ele disse não ter números exatos, mas que podia fazer uma previsão a partir do montante que ele próprio, Passaia, poderia ter recebido, se aceitasse participar do esquema: de 50 a 100 mil por mês. “Acredito que algo em torno de R$ 500 mil por mês”, disse, referindo-se ao montante que apenas o prefeito de Dourados teria recebido, fora os recursos desviados com a divisão do bolo.
Na coletiva o delegado Galone observou que “o prejuízo envolvia 100% dos contratos de obras”. Ele garantiu que a operação está muito bem respaldada em provas, todas coletadas pelo ex-Secretário de Governo de Dourados, Alesssandro Passaia, que com autorização da justiça fez gravações de áudio e vídeo de vários encontros envolvendo empresários, vereadores, secretários e o prefeito Ari Artuzi.
Relação de Presos:
Ari Artuzi (prefeito)
Maria Aparecida de Freitas (1ª dama)
Carlinhos Cantor (vice-prefeito)
Aurélio Bonatto (vereador)
Edvaldo Moreira (vereador)
Humberto Teixeira Junior (vereador)
José Carlos Cimatti (vereador)
Zezinho da Farmácia (vereador)
Julio Artuzi (vereador)
Marcelo Barros (vereador)
Paulo Henrique Bambu (vereador licenciado)
Sidlei Alves (presidente da Câmara)
Alziro Moreno (procurador-geral)
Tatiane Moreno (secretária de Administração)
Ignez Boschetti Medeiros (secretária de Finanças)
Cláudio Marcel Hall, Marcelão (vereador licenciado e secretário de Serviços Urbanos)
Helton Farias (Gestor de Compras
Dílson Cândido de Sá (secretário de Planejamento e Obras)
João Kruger (controlador-geral)
José Roberto Barcelos Junior – (Ex-chefe de licitação)
Marco Aurélio de Camargo Areias (superintendente do Hospital Evangélico)
Paulo Ferreira do Nascimento
Sidnei Lemes Erédia
Thiago Vinícius Ribeiro (departamento de licitações)
Antonio Araújo (empreiteiro)
Geraldo de Assis (empreiteiro)
Carlos Gilberto Recalde
José Antonio Soares – (Empresário).
Confira os vídeos divulgados pela Polícia Federal: