O advogado Jean Davi, diretor do Hospital da Cassems em Dourados, doou um par de sapatos novos para o manifestante Adailton Castro de Souza, que na manhã de ontem atirou um sapato no rosto do vereador Aurélio Bonatto.
Segundo o Midiamax, Adailton ficou surpreso com o presente e fez um agradecimento a todas as pessoas que se solidarizam com sua situação. “Vai ser muito útil para mim. Tinha apenas dois pares de sapatos para trabalhar e o dinheiro que iria gastar vou usar para ajudar no tratamento de saúde da minha mãe”, disse ele.
O advogado Jean Davi conta que doou o sapato por entender o gesto de Adailton. “Ele é mais um trabalhador indignado com a corrupção na política doura-dense”, disse Davi esperando que o seu gesto seja repetido por mais pessoas que acreditam na justiça e no respeito ao cidadão. Adailton disse que iria receber mais um par de sapatos que será doado por um empresário que não se identificou ao procurá-lo por telefone.
RELEMBRE O CASO
Logo no início da sessão Adailton Castro de Souza, de 35 anos, que trabalha como auxiliar administrativo, furou a barreira da segurança, arrancou um dos sapatos e atirou contra o vereador, que foi atingido na cabeça. Bonatto só não foi agredido mais porque um segurança da Câmara que estava infiltrado no meio da multidão conseguiu segurar o homem e evitar sua aproximação. Ele foi detido e encaminhado de viatura para o 2º Distrito Policial de Dourados.
Antes de ser levado para a delegacia, Adaiton disse que ficou revoltado ao ver os vereadores que foram presos na operação da Polícia Federal participarem da sessão como se nada tivesse acontecido. “Não consegui controlar a minha indignação. Há dias tento marcar consulta com um médico, num posto de saúde, para a minha filha que está doente e não consigo. Enquanto isso vemos vídeos de políticos pegando dinheiro que vinha sendo roubado da saúde pública. Quem deveria estar dentro desse camburão não era eu e sim eles. Esses políticos têm que aprender a respeitar a população”, desabafa o auxiliar administrativo.
Adaiton afirmou que a agressão não foi premeditada. “Não fui na Câmara com a intenção de agredir ninguém, mas acabei ‘perdendo a cabeça’. A forma que agi foi errada, mas é que estou muito revoltado. A população não pode deixar esses vereadores que foram presos voltar”, salientou o agressor. O auxiliar administrativo foi ouvido e liberado. Ele será investigado por perturbação do trabalho e sossego alheiro.