Ao menos três testemunhas de acusação foram ouvidas até o final da tarde desta segunda-feira durante a primeira audiência de instrução e julgamento de André Rodrigues Marins e Vanessa Maia Furtado, pai e madrasta da menina Joanna Marcenal, 5, no Terceiro Tribunal do Júri, no Rio. O casal é acusado pela tortura e homicídio da criança.
Joanna morreu no dia 13 de agosto de 2010 após contrair meningite, ser atendida por um falso médico e passar um mês em coma. O pai começou a ser investigado depois que a mãe da menina, a médica Cristiane Marcenal Ferraz, encontrou marcas no corpo da criança e suspeitou de maus-tratos. Na avaliação da Promotoria, a criança morreu porque o pai foi omisso e não procurou ajuda médica imediatamente. Ele e a mulher negam as acusações.
Marins chegou ao tribunal com camisa polo e sem algemas. Ele passou parte do tempo de mãos dadas com Vanessa. Em juízo, a mãe de Joanna foi a primeira a ser ouvida e pediu aos réus que se retirassem da sala durante o depoimento.
Emocionada, Cristiane disse que, durante o ano de 2007, Joanna saía chorando toda vez que ia à casa do pai e "chegava a vomitar quando via André". Ela disse ainda que tentou aproximar a filha do pai, mas que não conseguia conversar com ele e a nova mulher sem que eles a xingassem.
Quando morreu, a menina estava morando provisoriamente com o pai e a madrasta. A mudança foi em maio de 2010, quando a Justiça determinou o afastamento de Cristiane por 90 dias por entender que a criança sofria de síndrome de alienação parental, quando um dos genitores tenta afastar o filho do outro.
Ainda durante a audiência, a diarista da casa dos acusados, Gedires Magalhães de Freitas, disse que ficou "muito assustada" quando viu, no seu primeiro dia de trabalho, em julho, Joanna com as mãos e os pés amarrados com fita crepe "suja de fezes e urina". "Queria limpar ela, mas o pai disse que o médico pediu para não mexer nela. Se eu pudesse voltar no tempo teria colocado ela no colo e saia correndo para tentar salvá-la", disse.
Até o começo da noite, o tribunal não havia informado a data da próxima audiência -- quando devem ser ouvidas as testemunhas de defesa.