No Rio de Janeiro, um menino de seis anos foi morto com um tiro de uma pistola de pressão -- daquelas que são usadas para fixar pregos. O disparo foi feito por um vizinho.
O crime foi em uma pequena vila. Vinicius Mauricio Botelho, de 6 anos, estava brincando com outras crianças a menos de 50 metros da casa dele, quando houve um disparo.
“A gente escutou o barulho. Foi a hora que a gente correu para socorrer”, conta o pintor Paulo Roberto.
O menino sangrava muito na coxa direita e foi levado imediatamente para uma Unidade de Pronto Atendimento do bairro, mas morreu minutos depois.
“Eu não sei como é que foi. Quando eu cheguei lá mandaram aguardar. Eu aguardei e veio a moça me chamar para conversar comigo. Foi quando ela falou que ele tinha morrido”, lembra a mãe do menino.
Em uma vila pobre, logo se imaginou que o menino seria mais uma vítima de bala perdida. Mas Vinicius tinha sido atingido por um disparo feito com uma pistola para fixar pregos em concreto. O autor do tiro, Nicodemo Estevão dos Santos, trabalha como gesseiro e teria fugido com medo de ser linchado.
Na delegacia da Taquara, na Zona Oeste do Rio, o caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Até agora a polícia só ouviu uma testemunha que teria visto o crime, José Eduardo Lima Gomes, o primo do acusado.
Em depoimento, ele contou que Nicodemo pegou a pistola e começou a limpá-la, quando houve um disparo. Mas na vila, há outra versão. Crianças, que brincavam com Vinicius, teriam contado que o tiro foi proposital por causa da bagunça dos meninos.
“A gente estava aqui e a criança falou que estava brincando junto. Ele apontou na direção e atirou”, conta o motorista Wagner Bugarim.
Por causa da contradição, procuramos um profissional. A pistola tem um dispositivo de segurança. Mesmo carregada, é difícil disparar.
“De forma alguma ela é fácil de disparar. Tem que fazer muita força”, conta o gesseiro Ricardo Ayres.