A descoberta de cinco corpos encontrados pela Policia na tarde desta quarta feira, 28, na região do distrito de Jacy Paraná, há cerca de 100 km de Porto Velho, em Rondonia, poderia chocar muito mais as população não fosse o fato do outrora pequeno distrito abrigar, hoje, milhares de trabalhadores envolvidos com a construção da Usina Hidrelétrica de Jirai, no Rio Madeira.
Nos últimos anos diversos problemas tem sido detectados pelas organizações sociais, a partir deste contexto. Um deles, a própria violência, nas mais variadas formas. A prostituição movimenta o distrito. Muitas garotas chegaram a região em ônibus fretados exclusivamente para trazê-las, especialmente do Estado de Mato Grosso.
Como no caso de outras construções similares, as controvérsias em Jacy Paraná não se limitam ao impacto sobre o meio ambiente que a Usina, que juntamente com a de Santo Antonio, também em construção no mesmo Rio, estão produzindo. Embora fundamentais para o suprimento de energia elétrica no Brasil a partir de meados de 2013, as duas obras tem sido alvo de diversas críticas, especialmente dos setores ligados aos direitos humanos.
Na mais recente chacina, essa semana, membros de uma família inteira foram mortos e enterrados em posição vertical. Entre os mortos foi encontrada Maria Lucia da Silva Ferreira, de 24 anos, seu esposo, Lienir Batista de Andrade, de 43 anos, e a filha, Ana Beatriz, de apenas cinco anos de idade. Tanto a mãe, que estava grávida, quanto a pequena criança estavam despidas da cintura para baixo, além de roupas rasgadas com violência, o que leva a crer que as vítimas tenham sido estupradas antes de serem assassinadas.
Segundo a Policia, o requinte de crueldade ficou evidenciado no fato de todas as vítimas se encontrarem degoladas, a faca, e estarem com mãos amarradas e pernas quebradas. Na busca de uma razão, um primeiro indício já foi levantado: o envolvimento dos adultos com o tráfico de drogas, outro problema comum em Jacy Paraná, que aos poucos vai ganhando uma fama indesejável: terra de ninguém.