A cada três dias, aproximadamente, um homem é agredido por uma mulher em Dourados, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (28) pelo Delegado Regional da Polícia Civil, Antonio Carlos Videira. Somente em 2012 foram registradas 137 ocorrências do tipo, além de ameaças.
O delegado explica que com base nos estudos feitos pela polícia na região, a quantidade desses crimes tem se mantido, porém, as vítimas têm procurado mais a delegacia. ?O número é muito pequeno se comparado às agressões que as mulheres sofrem diariamente (327 casos em 2012), mas os homens também têm apanhado?, disse Videira.
O delegado conta que, aos poucos, eles estão perdendo a vergonha de denunciar que são agredidos. ?Ainda existe a questão cultural. Muita gente não tem coragem de dizer que apanha de mulher, mas vejo esse cenário se transformando. Há maior acesso à informação e mais conscientização dos cidadãos?, relata.
A maioria dos envolvidos são jovens com idades entre 21 e 36 anos, e que tiveram relacionamentos conturbados. Nas primeiras semanas de 2013 o Dourados Agora registrou quatro casos em que os homens foram vítimas; três esfaqueados e um baleado (esse só escapou porque a autora errou boa parte dos disparos).
?A Constituição Federal diz que todos somos iguais perante a Lei, mas isso não é verdade plena. As mulheres, por exemplo, são amparadas pela Lei Maria da Penha; se um homem bate na mulher, ele vai preso e responde criminalmente por lesão corporal. Se uma mulher fizer isso, o caso vai para o tribunal de pequenas causas?, disse.
A delegada Magali Leite Cordeiro, titular do 2° Distrito Policial de Dourados, e que por oito anos respondeu pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), concorda com as afirmações de Videira e completa dizendo que falta mais apoio à família como um todo, e que os homens são tratados com mais rigidez pela Justiça.
?É claro que as mulheres são mais frágeis e precisam de proteção especial, mas algumas se aproveitam disso e agem de má fé. Por exemplo, quando uma mulher é agredida, ela recebe amparo de profissionais especializados como psicólogos, o homem autor não. Ele vai para a cadeia e pronto; fica desamparado?, disse Magali.
AMEAÇAS
Ainda conforme dados divulgados pelo delegado, no ano passado foram registrados 108 casos de homens ameaçados por mulheres. Na maioria deles, a vítima temia por ter seu órgão sexual mutilado pela autora. ?Eles têm mais medo disso do que de perder a própria vida, e por isso, tem procurado denunciar?.
Ele continua: ?Mulheres desorientadas, que foram deixadas por seus amásios geralmente tendem a fazer ameaças assim. Elas só esquecem que isso pode ser usado contra elas em caso de uma separação, influenciando diretamente na decisão de quem vai ficar com a guarda dos filhos, por exemplo?. (Com Dourados Agora)