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No 'adeus' ao ex-presidente da OAB, família e amigos demonstram revolta com homicídio

Principal suspeito do crime é sobrinho da vítima e travava uma 'rixa familiar' com o tio

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Na tarde desta sexta-feira (15), no Cemitério Municipal de Aquidauana, foi realizado o sepultamento do ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Severino Alves de Moura, supostamente assassinado pelo seu sobrinho na noite do dia 13 e encontrado na madrugada do dia 14 de dezembro, na BR-419, a 14 km do trevo de Anastácio. Na cerimônia, família e amigos do advogado demonstraram revolta com o homicídio.

A prima da esposa da vítima, Regiane Cássia, lembrou que Severino nunca foi de brigar e apontou que acredita que o ato do sobrinho foi de total ingratidão.

"O Severino, de bom, era bobo. Ele confiava nas pessoas e acreditava que, com conversa, resolveria tudo. Esse rapaz que fez isso com ele, além de ser do sangue ele, foi muito ajudado por ele. Se ele tem um diploma universitário, é porque o Severino lutou por ele, porque a mãe dele não queria ajudar. Nunca vão achar nada que desabone a conduta do meu cunhado", disse.

A mulher também relatou que o principal suspeito do caso possui uma extensa "ficha". "A índole desse menino é cheia de brigas, multas de trânsito, desavença, ele foi expulso de uma fundação porque agrediu uma menina. O Severino sempre achou que ele era uma vítima, mas quem acabou virando vítima foi ele", pontuou.

Ela confirmou que a rixa entre os dois seria antiga. "Isso começou quando o pai do Severino morreu, há mais ou menos 12 anos. Como ele tomou à frente para fazer o inventário, a família foi pegando birra dele, achando que ele estava tentando enganá-los. A gente falava para ele tomar cuidado com eles, mas ele achava que, por serem do mesmo sangue, ninguém nunca faria nada de mais. Muitas pessoas sabem dos problemas, sabem que a mãe do autor não gostava do Severino, tudo por briga por terrenos, por coisas fúteis", explicou. 

O advogado Viriato da Silva Santos, que teve o primeiro emprego oportunizado pela vítima, lembrou com carinho do homem. "Eu saí da faculdade e vim trabalhar com ele, porque ele era conhecido do meu avô. Ele foi um professor. Me ensinou a trabalhar a parte prática da advocacia e me estendeu uma oportunidade. Eu aprendi muito com ele, que sempre foi uma pessoa sincera, tranquila, pra cima. Eu tenho muitas lembranças boas dele. Até hoje tínhamos processos juntos, trabalhávamos em parceria. Agora, o que ficou foi um sentimento de tristeza", recordou.

Ele disse que, quando recebeu a notícia, não acreditou. "Eu estava trabalhando e, quando li o nome na internet, não consegui fazer mais nada durante o dia. Infelizmente, o que aconteceu foi uma tragédia", finalizou.

Desdobramentos

Segundo o advogado da família, Marcelo Portocarrero, os resultados dos exames necroscópicos feitos em Campo Grande devem apontar a causa da morte e se Severino já estava morto quando a caminhonete pegou fogo. A vítima teria sido agredida a socos e, mais tarde, encontrada carbonizada em sua caminhonete, na BR-419.

“O corpo foi mandado para Campo Grande ontem à tarde, para exames necroscópicos, que devem sair em uma semana. O laudo vai mostrar o que ocorreu realmente. O corpo chegou ontem à noite”, disse.

Informações levantadas pela reportagem do jornal "O Pantaneiro" apontam que os dentes de Severino estariam quebrados, fato que reforça a ideia de que o advogado foi agredido antes da morte, mas a perícia ainda não divulgou resultado preliminar. 

Em entrevista, o delegado Antônio Souza Ribas Júnior, responsável pelas investigações, não confirmou que os dentes de Severino estavam quebrados quando o corpo foi encontrado, mas disse que os funcionários da fazenda confirmaram, em depoimento, ter visto o suspeito agredindo a vítima a socos.

As investigações começaram, em princípio, na tentativa de identificar a vítima, que seria um advogado da cidade. "Fomos até a casa de Severino, onde ele não estava, e ficamos sabendo que ele poderia estar na fazenda de sua propriedade. Uma irmã nos acompanhou até a propriedade, mas nada foi encontrado. Não havias sinais de violências no dois locais", relatou o delegado.

As diligências se estenderam por toda a madrugada e pela manhã, um funcionário relatou às equipes ter visto uma caminhonete parecida com a da vítima indo em direção à fazenda e retornado à tarde. O peão afirmou, ainda, que neste intervalo viu a vítima parar para conversar com um grupo de trabalhadores que faziam uma cerca na propriedade.

Essas pessoas foram identificadas e inicialmente negaram ter trabalhado durante a tarde. A polícia, então, retornou ao local para entrevistar o primeiro funcionário, que voltou a atrás do que tinha dito e retou que o grupo só trabalhou até meio dia. "Muito nervoso, o peão acabou dizendo que uma pessoa do grupo teria pedido para que ele mentisse e informasse que todos haviam trabalhado até o meio dia", disse o delegado.

Confrontado a respeito das contradições, o funcionário que fazia a cerca confirmou que o sobrinho teria discutido com o Severino, quando a vítima voltava para a cidade. 

“Houve uma briga de socos entre os familiares até a vítima cair no chão. Os trabalhadores estavam há uma certa distância, mas viram que o autor abandonou sua caminhonete e entrou na caminhonete da vítima. O sobrinho teria dirigido até os trabalhadores e pedido: “Encontro com vocês na rodovia, me busquem lá”. Dois desses empreiteiros pegaram a caminhonete, a mando do suspeito, e o encontraram na rodovia algum tempo depois”, disse.

A Polícia Civil já pediu a prisão preventiva do sobrinho. Ele responderá por homicídio e ocultação de cadáver. Foram ouvidas seis pessoas, entre peões e uma familiar que confirmou uma briga antiga por divisão de terras.

“Há um mês o sobrinho já teria mudado um portão de local, que também teria sido motivo de briga. O que pode ter culminado o crime, foi o início da construção de uma cerca na quarta-feira. A estrutura, conforme apurado, iria impedir a passagem de Severino para o embarque de gado”, finalizou o delegado.

Tio e sobrinho possuíam uma extensa lista de boletins de ocorrência, que registravam um contra o outro, devido a essa briga por terra.

“Não dá para informar se Severino já estava morto quando o carro pegou fogo porque dependemos do resultado do laudo pericial. Mas eles brigaram de soco e deve se levar em consideração que o autor tem um tamanho desproporcional à vítima”, disse.

Prisão

A Polícia Civil de Anastácio prendeu por volta de 12h30 desta quinta-feira (14), no Bairro Alto, em Aquidauana, um sobrinho de Severino, que seria o principal suspeito do crime. O homem foi flagrado com galões de gasolina na carroceria de uma Toyota Hilux de cor branca e, no momento em que viu a viatura da Polícia Civil se aproximar, tentou fugir entrando em uma loja, no Bairro Alto.

Agentes do SIG da Polícia Civil levaram o suspeito até a delegacia de Anastácio, onde foi ouvido na companhia de um advogado, e mantido preso à disposição da Justiça.

"Localizamos o autor em Aquidauana. Ele resistiu à prisão, mas foi levado à delegacia. Ele se manteve em silêncio durante o depoimento", disse o delegado.

Caso

O corpo do advogado trabalhista foi encontrado carbonizado na madrugada do dia 14 de dezembro, na BR-419, a 14 km do trevo de Anastácio. Moura estava em uma caminhonete com placas de Anastácio que ficou totalmente destruída.

O fogo começou por volta das 22h20, do dia anterior, e mobilizou o Corpo de Bombeiros de Aquidauana. Quando os militares chegaram ao local, a caminhonete ainda era consumida pelas chamas. O veículo ficou totalmente destruído.

O corpo de Severino foi levado ao Imol (Instituto Médico Odontológico) de Aquidauana, onde foi reconhecido por familiares. Segundo a família Severino retornava ou se dirigia à sua fazenda nas proximidades, onde costumava pernoitar, devido ao aumento de furto de gado.

Em princípio, o caso foi tratado como acidente, porém a caminhonete não estava batida. Severino trabalhava na área trabalhista e a Polícia Civil investiga o que pode ter causado o fato. O caso foi atendido pelo Corpo de Bombeiros, PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Polícia Civil de Aquidauana.

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