Polícia
Caso foi inicialmente tratado como ocultação de cadáver, mas investigação agora apura homicídio culposo
O homem que está sendo investigado pela morte de Raquel Perciliano, de 59 anos, cujo corpo foi encontrado em uma vala às margens de uma estrada em Terenos, alega que entrou em surto e descartou o corpo no matagal, cobrindo-o com um tapete. A vítima teria sofrido um infarto durante uma relação sexual com o suspeito.
De acordo com o advogado de defesa do suspeito, Ivan Oliveira da Silva, o cliente relatou ter ficado em estado de choque ao perceber que Raquel passava mal. “Ele achou que ela havia morrido e entrou em desespero. Não soube como agir”, disse o advogado em entrevista ao Jornal Midiamax.
Ainda segundo a defesa, após abandonar o corpo, o homem se dirigiu até Campo Grande, onde procurou o advogado e relatou o que havia acontecido. Em seguida, os dois comunicaram o caso à polícia, que foi até o local indicado para localizar o corpo. A distância entre o descarte e o acionamento das autoridades foi de aproximadamente cinco horas, o que agora também é alvo da investigação.
O delegado responsável pelo caso, Gabriel Desterro, confirmou que Raquel apresentava uma lesão roxa na região do olho, o que indicaria que ela ainda estava viva no momento em que foi jogada na vala de 70 centímetros de profundidade, próxima a um frigorífico. A nova informação levou à reclassificação do caso: de ocultação de cadáver para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
O caso
Raquel foi encontrada sem roupas íntimas, sapatos ou celular, itens que até o momento não foram localizados. O carro do suspeito foi periciado e, segundo a polícia, não foram identificados sinais de agressão ou luta. O homem afirmou que não houve violência e que apenas tentou se desfazer do corpo por não saber o que fazer.
O casal mantinha um relacionamento extraconjugal há anos, apesar de relatos iniciais indicarem que seria apenas o segundo encontro. O suspeito afirmou que Raquel já teria saído de casa sem roupas íntimas antes de serem vistos juntos nas proximidades da antiga rodoviária de Terenos, de onde seguiram para uma estrada vicinal.
O Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) confirmou que Raquel sofreu um infarto. Para a polícia, se o homem tivesse levado a vítima a tempo para um hospital, poderia ter evitado a morte e não responderia por homicídio. A Polícia Civil ainda pretende ouvir testemunhas, analisar imagens de câmeras de segurança da rodovia MS-335 e solicitar a quebra do sigilo telefônico da vítima, que recentemente teria passado por uma consulta médica de rotina.
O suspeito está em tratamento psiquiátrico e, segundo seu advogado, está abalado com o ocorrido. A família da vítima também aguarda os laudos finais da investigação para entender completamente o que aconteceu naquela tarde de domingo.
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