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Com baixa adesão dos pais, MS registra queda na imunização de crianças

Receio de contágio de Covid-19 pode ser um indicativo

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A cobertura vacinal em relação às crianças de 0 a 2 anos tem ficado abaixo do esperado, em Mato Grosso do Sul. Os índices preocupam as autoridades de Saúde, que acreditam que o receio de contágio de Covid-19 pode ser uma justificativa para a baixa adesão dos pais.

As metas previstas pelo Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, ainda não foram alcançadas este ano. O bombardeio de informações falsas também pode ser um agravante, neste momento, que pode expor crianças a risco desnecessário.

A Gerente Técnica de Imunização, da SES, Ana Paula Rezende de Oliveira Goldfinger, explica que a pandemia do coronavírus (Covid-19) alterou a rotina de trabalho de todas as áreas e principalmente da saúde.

“Isto tem di?cultado o desenvolvimento das atividades de vigilância, uma vez que nossa maior demanda de cobertura vacinal são crianças e estas estão em casa temporariamente. Outro fator preponderante é a insegurança da população em procurar unidades de saúde, tendo em vista que em alguns municípios, por necessidade, as unidades de saúde estão apenas com atendimento a pacientes com suspeita ou confirmação para Covid-19”, pontua Ana Paula.

Goldfinger disse que as vacinas imunobiológicos de rotina e especiais continuam sendo disponibilizadas normalmente nas Unidades Básicas de Saúde, Hospitais, Maternidades e no Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie). “Reforça-se a importância da manutenção de um esquema vacinal completo, seguindo o preconizado no Calendário Nacional de Vacinação, e ressaltamos que o sucesso dessa estratégia depende do envolvimento e da participação de todos. Vacinar é um ato de amor e proteção”.

Redução na vacinação

Dados do Ministério da Saúde referentes a Mato Grosso do Sul apontam que a taxa de vacinação infantil vem apresentando queda neste ano. Em comparação com o ano passado, os registros apontam para baixos índices de imunização.

É o caso da Vacina BCG, responsável pela proteção das formas mais graves da tuberculose, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar. Enquanto em 2019 o índice de imunização foi de 113,54%, neste ano é de 49,08%. O Programa Nacional de Imunização prevê como índice ideal 90% de cobertura vacinal.

Quanto a Hepatite B, que previne a infecção do fígado em crianças menores de 1 ano, o índice se manteve abaixo dos 95% previsto. Enquanto em 2019 o índice de imunização foi de 85,19%, os primeiros nove meses de 2020 registram 62,36%. Rotavírus, que protege os bebês das doenças diarreicas agudas (DDA), ultrapassou no ano passo o índice de 90%, fechando em 94,12% de cobertura. Neste ano, até o momento o índice está em 65,78%.

Em crianças menores de 2 anos, a vacina tríplice viral, que combate o sarampo, caxumba e a rubéola, fechou 2019 com 104,53%, acima do recomendado que é 95%. Neste ano, o percentual está em 62,10%. A Hepatite A, que afeta o fígado por via oral-fecal, causando infecção aguda, registrou 93,74% de cobertura. Neste ano, apenas 58,39% do público-alvo foi vacinado.

Os demais dados ainda apontam: pentavalente com índice de 85,15% em 2019 e 62,36% em 2020; pneumocócica em 2019 com 97,44% caiu para 68,03% de imunização; meningocócica C, no ano passado atingiu índice de cobertura de 96,54%, neste ano registra até agora 65,07%; poliomielite chegou perto do previsto, com 93,77%, e até agora alcançou o índice de 61,63%; e a febre amarela de 88,27% em 2019 está com 52,19% neste ano.

Ações de vacinação

Como estratégia de resgate da vacinação da população, a gerente explica que o Governo do Estado desenvolveu um card/mídias claro e objetivo idealizado especificamente para a população, divulgado por mídias digitais. “Ainda estamos em fase de finalização para impressão de calendários instrutivos para profissionais de saúde atuantes em salas de vacinas-imunizações, visto que hoje no Brasil, ao todo, são disponibilizadas 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida”, explica Ana Paula.

E a SES reforça que os avanços nas práticas de imunização são evidentes e continuamente há mudanças no cotidiano das salas de vacinas no que se refere ao calendário vacinal, introdução de novas vacinas, novas apresentações dos imunobiológicos, novas recomendações nas atividades de vacinação, e que estamos em um ano atípico, mas que em nenhum momento foi deixado de dialogar e buscar estratégias para o fortalecimento e melhoria de  coberturas-metas junto aos Núcleos Regionais de Saúde, secretários Municipais de Saúde e coordenadores municipais de imunizações.

 

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