dothCom Consultoria Digital
Publicado em 22/02/2008 às 08:44
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
O gênio juvenil dos computadores que domina a imaginação popular - pálido, desajeitado e homem - na verdade não faz jus à reputação que adquiriu. Pesquisas demonstram que, entre os usuários mais jovens da web, os principais criadores de conteúdo (blogs, animações, fotografias e sites) não são sujeitos desajustados como o Atirador Solitário do Arquivo X. Pelo contrário, os pioneiros da web no momento tendem a ser garotas adolescentes que adotam um comportamento virtual muito efusivo.
"A maioria dos meninos não têm paciência para esse tipo de coisa", disse Nicole Dominguez, 13, de Miramar, Flórida, cujos hobbies incluem desenhar ícones, layouts para páginas e glitters (animações cintilantes) para as páginas de outras adolescentes na web e em serviços de redes sociais como o MySpace. "É um trabalho difícil".
Nicole posta suas criações, bem como suas dicas sobre HTML e CSS (ela é autodidata) nas páginas em tons de rosa e violeta do Sodevious.net, um domínio que sua mãe adquiriu para ela em outubro. "Se você fizer uma pesquisa, vai descobrir que os meninos raramente mantêm sites", ela afirmou. "Quase todos são de meninas".
E, de fato, um estudo publicado em dezembro pelo Pew Internet & American Life Project constatou que entre os usuários da web de idade entre os 12 e os 17 anos, o número de blogs é significativamente maior entre as meninas (35%, ante 20% para os meninos), e o mesmo se aplica a páginas pessoais na web: 32% das meninas dessa faixa etária as operam, ante 22% dos meninos.
As meninas também deixam os meninos na sombra quando se trata de criar ou trabalhar nos sites alheios, e da criação de perfis em sites de redes sociais (70% das meninas entre os 15 e os 17 anos têm perfis na Internet, ante 57% dos meninos da mesma idade). Postagem de vídeos era uma das poucas áreas em que os meninos superavam as meninas: a probabilidade de que rapazes subam vídeos para a Internet é quase duas vezes maior.
As explicações para esse desequilíbrio entre os sexos variam quase tanto quanto as características das meninas da web. Entre elas há blogueiras que pontificam sobre temas adolescentes recorrentes como "professores malignos" e "castigo todo dia" mas também aspirantes a Martha Stewart ¿empresárias cujas atividades online geram mais dinheiro do que um verão de bicos como babá poderia valer.
"Eu fui a primeira podcaster adolescente a conquistar patrocínio de uma grande empresa", conta Martina Butler, 17, de San Francisco, que há três anos mantém um podcast regular sobre rock independente, o "Emo Girl Talk", de um estúdio improvisado no porão de sua casa. O patrocínio inicial que ela conquistou, da Nature's Cure, uma marca de remédio de combate a acne, foi tema de reportagem na revista Brandweek, especializada em marketing, no ano de 2005.
Desde então, diversas empresas, entre as quais o Go Daddy, um provedor de acesso e serviço de hospedagem na Internet, pagaram para serem mencionadas nos programas, que são postados a cada domingo no site emogirltalk.com.
"As coisas estão crescendo para mim", disse Martina, que aspira a ser apresentadora de rádio e TV e ficou feliz com o resultado da pesquisa do Pew Center. "Não me surpreende saber que as meninas sejam criativas", ela disse. "Às vezes mais criativas que os homens. Nós temos garra. E os meninos..." A frase se encerra com uma risada.
A tendência de domínio feminino do setor de conteúdo já vinha circulando há alguns anos - um estudo do Pew Center publicado em 2005 já indicava que as adolescentes eram as principais criadoras de conteúdo -, mas a disparidade entre os sexos aumentou, especialmente no que tange aos blogs.
O número de blogs de adolescentes dobrou entre 2004 e 2006, e quase toda a ampliação se deve à "atividade ampliada das meninas", de acordo com o Pew Center.
As constatações afetam áreas que vão além dos blogs, de acordo com o Pew Center, porque a probabilidade de que os blogueiros se envolvam em outras formas de criação de conteúdo "é maior do que aquela que se aplica aos adolescentes sem blogs".
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