Em entrevista exclusiva ao O Pantaneiro, Lucas Corazza revelou os "gostinhos" que ficou na boca da viagem que fez pela primeira vez ao Pantanal sul-mato-grossense
A viagem já completou 1 semana desde que aconteceu, mas parece que o gostinho ficou mesmo marcado na boca. Foi assim que o chef paulistano Lucas Corraza, 38 anos, sentiu ao se deliciar com a culinária sul-mato-grossense e declarar amor incondicional ao nosso Pantanal. Não é por pouco, não.
"Que venham cada vez mais com uma panela maior!"
À convite da Fundação de Turismo (FundturMS) e com apoio do Sebrae MS, o gastrônomo Lucas Corazza veio à Mato Grosso do Sul numa ação a fim de promover o turismo LGBTQIA+ e culinário sul-mato-grossenses.Pela primeira vez em MS, Lucas – que é conhecido por ser um dos jurados do programa "Que Seja Doce" do canal pago GNT – conversou com O Pantaneiro sobre os sabores regionais manifestados nos 10 dias que viajou pelo Pantanal de Aquidauana, Corumbá e Bonito.
"As refeições típicas daqui, as raiz mesmo, contam com pouquíssimos ingredientes, concentrando muito mais sabor em uma só coisa. Seja doce ou salgado, tudo é substancioso, calórico, marcando a presença do ingrediente principal", opina.
Lucas exemplifica: "a queijadinha dá uma enorme atenção ao queijo e calda, enquanto que a macarronada de comitiva pega a carne de sol e faz ela brilhar 'sozinha'. Tudo sem nenhum acompanhamento", descreve.
"Seja doce ou salgado, tudo é substancioso, calórico, marcando a presença do ingrediente principal", diz o chef."Mas o que achei mais engraçado é que a culinária daqui, além de se tratar de uma cozinha raiz, histórica, singular, é ao mesmo tempo assustadora, pois não é adaptada ao turista, e sim chega com tudo, mostrando verdadeiramente a cultura do lugar", elogia.
"Quem tiver estômago fraco, se prepare. Pode ganhar um revertério no meio do caminho", brinca.
Com uma aura divertida, Lucas brincou e se deliciou com a cultura pantaneira: "por aqui, tudo leva carinho", avalia.Lucas já visitou muitos destinos brasileiros para afirmar que a gastronomia turística virou uma "pasteurização sem fim", mais preocupada em atender o gosto do cliente no esquema do "mais do mesmo" do que necessariamente vender a cultura local.
"Você diz 'nossa, que gostoso, parece comida de aeroporto' ao prova uma moqueca baiana que mal tem gosto de azeite de dendê. No Pantanal, não", diferencia o chef.
Na temporada em MS, Lucas degustou de tudo um pouco, mas foi se apaixonar mesmo por guavira e doce de leite.Da queijadinha ao macarrão de comitiva, passando pelo café quebra-torto, arroz carreteiro, mandioca, sopa paraguaia, chipa e frutas típicas, Lucas dá nota 10.
"É uma culinária carinhosa. Afinal, a hospitalidade do lugar se mistura à cozinha. Tem essa convivência natural com os povos indígenas, com os de fronteira, reunindo história em meio à troca de cultura", reflete.
Foram 10 dias que Lucas viajou pelo Pantanal de Aquidauana, Corumbá e Bonito; para ele, "foi a maior diversão".Aproveitando a oportunidade da conversa com O Pantaneiro, Corazza compartilhou uma das várias histórias que testemunhou.
"Em Bonito, eu pude acompanhar a extração do jaracatiá, um momento bonito de ver todo aquele gestual de abrir com uma motosserra um buraco na árvore, e depois de aberta a 'janela' o tronco ser ralado. Ainda, ver as mãos calejadas do homem do campo fazendo uma atividade tão digna em meio à natureza. Ele, que criou três filhos pro mundo, naquele lugarzinho a 30 quilômetros dentro do mato. Realmente foi mágico".
"Porque onde tem alimento tem história. Onde tem alimento, tem alguém que teve que arar a terra. Não é só um produto numa prateleira".
Entre as memórias coletadas, a do casal que mora no meio do cerrado pantaneiro e sobrevive da extração do jaracatiá.Fruto da mistura de sangue e gastronômica entre as culturas italiana e árabe, Lucas – que vem de uma família que conhece de perto o que é uma mesa farta – já levou memórias e sabores regionais de volta para a cidade de São Paulo, onde nasceu, foi criado e reside.
Na mala cheia, uma "cuia" de guavira e potes e mais potes do doce de leite pantaneiro.
"O doce de leite de MS misturado com um pouco de guavira é ainda melhor... estou apaixonado pela fruta!", diz."O doce de leite de MS é tão bom quanto o mineiro, o uruguaio e o argentino. Merecia exportação! Ele é um cremoso consistente, até o fim da caramelização, com mais gosto de leite mesmo e quase nada de baunilha. É difícil encontrar isso, um doce de leite feito com um leite realmente bom, bem concentrado", julga.
Que seja sempre doce, Lucas… e até a próxima.
"Como não estar bem nesse paraíso?", descreveu Lucas sobre sua visita ao Pantanal sul-mato-grossense.
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo