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Marilene relatou que Dinho era uma figura fundamental em sua vida. Ela destacou o amor dele pela cidade de Anastácio
Crédito do vídeo: Ronald Regis
Marilene Ferreira Beltrão, conhecida como Mary Beltrão, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal O Pantaneiro nesta sexta-feira, 10, na propriedade rural da família Vital, localizada cerca de 10km da área urbana de Anastácio. Mary é viúva do ex-vereador da cidade, Wander Alves Meleiro, mais conhecido como Dinho Vital.
Dinho Vital, aos 40 anos, foi morto a tiros na última quarta-feira, 8, após participar de um almoço em comemoração ao aniversário de 59 anos da cidade. O evento, realizado na Chácara do Gaúcho, próximo à BR-262, é uma tradição pós-desfile, frequentado por políticos locais, incluindo vários pré-candidatos a cargos municipais.
Emocionada, Marilene relatou que Dinho era uma figura fundamental em sua vida. Ela destacou o amor dele pela cidade de Anastácio.
“O Dinho para mim, ele foi a pessoa, depois da minha mãe e do meu pai, mais importante na minha vida. Ele era sonhador, gostava de produzir, de fazer, era muito ativo, queria estar todo o tempo e amava a política e o direito. Ele conseguiu realizar esses dois sonhos, foi vereador, trabalhou pelo município, na Secretaria de Desenvolvimento, foi o maior tesouro. Eu, como mulher, pude presenciar que aquilo era a realização da vida dele. Hoje, eu ando com esses asfaltos, foi tudo projeto dele [...] ele amava essa cidade. Ele morreu para proteger essa cidade. Ele só queria o bem de Anastácio."
Contudo, a tragédia deixou a família devastada, especialmente o filho mais novo, que constantemente pergunta pelo pai.
“Hoje, a minha família está destruída. Meu filho chamou pelo pai a noite inteira, perguntando para mim que horas o pai dele ia chegar, que horas que ele ia ver o pai dele. E eu não soube responder, porque eu não tenho essa resposta,” disse Mary.
Maria Vital, mãe de Dinho, relatou ao O Pantaneiro como Dinho era como filho.
“Tenho muitas coisas boas para falar do meu filho. Meu filho sempre foi um companheiro, um amigo, um amigo de todas as horas, um filho que estava presente nas horas difíceis e nas horas boas, um filho que se preocupava muito com a mãe e o pai. Ele falava: 'Mãe, estou aqui do seu lado'. Ele sempre estava trabalhando, parecia que sempre adivinhava os meus pensamentos, parecia que ele estava dentro de mim, na minha mente, no meu coração.”
A mãe cita que o pior presente de Dia das Mães que ela recebeu foi: “Foi o presente do Dia das Mães mais triste que já me deram.”
Maria Vital (Mãe), Dinho, Mary, João Vital (Pai) e os filhos do casal. - Foto: Arquivo da Família. Sobre os eventos do fatídico 8 de maio, Marilene afirma que foi uma execução, testemunhando pessoalmente os tiros que atingiram seu carro. Ela ressaltou que Dinho não teve chance de reagir, indicando que não houve troca de tiros e que os policiais dispararam contra o veículo em movimento, sem qualquer abordagem prévia.
“Eu não tenho estrutura, eu não consigo ler as coisas que estão falando, mas o que posso te confirmar é que eu vi a execução, meu carro tem seis a sete tiros.”
Local do fato - Foto: O PantaneiroMary expressou indignação pela abordagem policial, descrevendo-a como covarde e sem justificativa.
“Eu achei também que foi uma covardia, porque quando são vários contra um, e ter autoridade, porque eu acho que a autoridade ela tem que se impor em qualquer lugar, né? E a situação, quando você fala da execução, eu falo execução, porque um policial, ele recebe uma formação, né? Então, o policial, quando ele vai fazer uma abordagem, a primeira coisa que ele vai falar pra pessoa, acredito eu, é mão pra cima no chão. Não chegar alvejando o carro de bala. Não teve nenhuma abordagem. Eles atiraram com o carro deles em movimento.”
Maria Vital (Mãe) e Mary (esposa) - Foto: O PantaneiroA família de Dinho clama por justiça e busca apoio da população para esclarecer os fatos. Segundo os familiares, um grupo de WhatsApp com mais de 500 membros foi criado com o propósito de exigir justiça pelo ex-vereador.
“Só peço que a verdade apareça, eu acredito piamente na justiça, eu peço à população, não me deixem só, não deixem a dona Maria só e nos ajudem a fazer justiça.”
Assista à entrevista:
Justiça
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Esporte e solidariedade
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