A suspeita de que a vacina contra Aids desenvolvida pela Merck tivesse tornado os voluntários mais suscetíveis ao vírus estaria sendo causada devido aos resultados nos testes de um grupo específico de voluntários: homens que tiveram contato prévio com um tipo comum de vírus da gripe chamado adenovírus 5.
A indicação, ainda de caráter preliminar e que carece de mais investigações, foi apresentada na semana passada durante encontro dos cientistas que participaram dos testes da vacina, realizado em Seattle, nos Estados Unidos.
Em setembro deste ano, os primeiros resultados dos experimentos já mostraram que a vacina não era eficaz para prevenir a infecção pelo HIV ou para conter a reprodução do vírus no homem.
Entretanto, um resultado intrigou os cientistas: o número de voluntários infectados era maior entre os que tomaram a vacina propriamente dita do que entre os que receberam doses placebo (substância inócua).
Ou seja, além de não prevenir contra a doença, o medicamento estaria fazendo com que os voluntários ficassem mais vulneráveis ao vírus.
Segundo dados do National Institutes of Health (Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos), em uma análise preliminar, dos 672 voluntários que tomaram pelo menos duas doses da vacina, 19 contraíram o vírus da Aids (2,8%).
Já entre os 691 voluntários que receberam as doses placebo, 11 contraíram o HIV (1,5%).
Esses dados referem-se apenas ao continente americano, onde 3.000 pessoas participaram do estudo, por meio de uma rede internacional de cientistas e institutos de pesquisa.
Com novos dados nas mãos, cerca de 500 cientistas voltaram a se reunir na semana passada para tentar encontrar uma resposta para a incógnita e conseguiram uma pista.
Suspeita
Os voluntários que estariam causando essa diferença seriam principalmente homens que tiveram contato prévio com o adenovírus 5, justamente o vírus utilizado na produção da vacina.
Para construir o produto, os cientistas utilizaram formas enfraquecidas do adenovírus, que funcionam como vetores da vacina, ou "cavalos de tróia", transportando para dentro do corpo humano certas partes do HIV.
A expectativa, já frustrada pelos resultados das pesquisas, é que os voluntários criassem resistência a esse "vírus da gripe" e também ao HIV.
Com base em novos dados gerados pela pesquisa, os cientistas agora suspeitam que as pessoas que estariam mais vulneráveis ao HIV seriam voluntários do sexo masculino que tiveram contato prévio com o adenovírus. Dentre esses homens, a maioria afirma ter tido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.
SXC
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Entre os 778 voluntários do sexo masculino com altos níveis de imunidade preexistente a esse adenovírus, 21 casos de HIV foram registrados entre os que tomaram a vacina (2,6%).
Enquanto isso, apenas nove infecções foram registradas nos voluntários que tomaram o placebo (1,15%).
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