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Capital tem 6,8 mil pessoas com vírus da Aids, alerta saúde

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Com 724.638 habitantes, Campo Grande tem hoje 6.837 pessoas com vírus HIV - os chamados portadores de HIV, pessoas que não apresentam sintomas da doença e sequer recebem acompanhamento médico, de acordo com estimativa da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).


 Já aquelas que apresentam sintomas da doença e possuem células de defesa menor que 350 - os chamados pacientes que vivem com Aids - somam 2.417 pessoas. Essas pessoas recebem atendimento de saúde. Na Capital, a cada dois homens com HIV há uma mulher infectada.


No País são 314.294 homens com HIV e 159.973 mulheres, segundo boletim epidemiológico divulgado hoje pelo Ministério da Saúde. Os dados sobre a Capital foram divulgados pela Sesau que prepara para o dia 29 de novembro campanha de prevenção à Aids cujo principal enfoque serão os adolescentes. Segundo a coordenadora do Programa Municipal DST/Aids, a médica infectologista Gisele Maria Brandão de Freitas, embora a faixa etária entre 20 e 39 anos reúna 59,4% dos casos, a suspeita é que o contágio ocorra ainda na adolescência. "Os jovens estão sendo infectados porque iniciam precocemente a atividade sexual. Além do vírus HIV, eles adquirem gonorréia,sífilis e tudo isso reflete na gravidez precoce", afirma a médica infectologista.


Mãe e filha
Rita, de13 anos, descobriu há um mês que contraiu o vírus HIV.  Paciente do Hospital Dia, um dos centros especializados em infectologia, na Capital, a menina não é a única vítima da doença na família. A mãe dela, Raquel, 32 anos, convive com a Aids desde 2002.


A garota, vítima de estupro aos 9 anos, fugiu de casa e foi morar na rua. "Na rua fiz as tatuagens com amigas, uma delas tem  Aids, peguei dela", relata a menina. Rita tem um irmão de 10 e irmã de 16 anos, que está grávida.


Para Raquel, que há cinco anos submete-se a tratamentos mensais, saber que Rita também adquiriu foi um golpe do destino. A mãe contraiu a doença através de relações sexuais. " Agora, por causa da minha filha entrei em depressão e minha carga viral abaixou. Tenho que agora cuidar também da minha filha".


Longe da escola, Rita diz estar disposta a lutar pela vida. "Vou namorar, me cuidar e sempre usar preservativo. Não vou contar nada aos meninos por causa do preconceito. Quando tiver mais velha quero casar e cuidar da minha família",  diz a menina.      



Mortes
Em Campo Grande nos últimos 27 anos a Aids matou 1.056 pessoas. No ano passado foram 57 óbitos e a estimativa da Sesau, que ainda tabula os dados, é que pelo menos 61 pessoas morreram este ano vítima da doença. Até o mês de julho foram 35 mortes. Em Mato Grosso do Sul 67 pessoas em média morrem todos os anos vítimas da doença, de acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Na Capital há 1.361 pessoas com Aids e que convivem com a doença fora do alcance da Sesau. Essas pessoas utilizam os medicamentos disponibilizados gratuitamente pela rede pública de saúde.

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