Com tanto peso na frente, como é que as grávidas não perdem o equilíbrio e caem de cara no chão? Cientistas acreditam ter chegado à resposta: há pequenas diferenças entre homens e mulheres em uma das vértebras da região lombar e em uma junta do quadril, fatores que permitem ás mulheres ajustar seus centros de gravidade.
Esta peça elegante de engenharia evolutiva só aparece nas fêmeas da espécie humana e em ancestrais que já andavam sobre duas pernas, mas não em chimpanzés e outros antropóides, de acordo com estudo publicado na edição desta semana da revista Nature.
"É um grande peso puxando você para a frente", disse Liza Shapiro, antropóloga que é o único participante do estudo que já passou por uma gestação. "Sente-se desconforto. Talvez fosse muito pior se (as mudanças de design) não estivessem lá".
A antropóloga Katherine Whitcomb descobriu duas diferenças nas costas de homens e mulheres que não tinham sido notadas antes: uma vértebra lombar tem forma de cunha nas mulheres, mas é mais quadrada nos homens; e uma importante junta do quadril é 14% maior nas mulheres que nos homens, quando fatores como o tamanho do corpo são levados em conta.
Os pesquisadores realizaram testes de engenharia que mostram que essas pequenas mudanças permitem às mulheres carregar o peso adicional - e crescente - sem perder o equilíbrio e, na maioria das vezes, sem uma dor incapacitante nas costas.
O caminhar bípede separa dos humanos da maioria dos outros animais e, embora os antropólogos ainda debatam o benefício evolutivo dessa postura, há custos notáveis, como o esforço imposto à coluna das fêmeas grávidas. Animais quadrúpedes suportam o peso da barriga muito melhor.
Quando os pesquisadores analisaram fósseis de ancestrais humanos, incluindo as espinhas mais antigas, que vão até o australopiteco, 2 milhões de anos atrás, eles já encontraram os machos sem as adaptações nas costas, e as fêmeas já com a alteração.
E como os homens barrigudos se viram sem a vértebra especial e a junta maior?
Provavelmente compensam o peso com a força dos músculos das costas, o que deve ser menos eficiente e causar mais dor, teoriza Shapiro. "Seria um estudo divertido de fazer, analisar homens com pança de cerveja e ver se mudam o centro de gravidade".
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