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Remédios de longa duração

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Um dos desafios da medicina é aumentar o nível de adesão aos tratamentos. O objetivo é conseguir com que os pacientes, principalmente os portadores de doenças crônicas como a diabete, não abandonem as terapias. Uma das maneiras de garantir a fidelidade é oferecer esquemas mais fáceis de serem seguidos. Nesse sentido, está surgindo uma nova geração de medicamentos que certamente é o modelo do que serão os remédios do futuro. São drogas de longa duração, que podem ser tomadas em freqüência menor. Produtos que antes deveriam ser ministrados duas, três vezes ao dia, agora podem ser usados em uma dose diária ou mensal, por exemplo. "Isso evita problemas decorrentes do esquecimento de tomar o remédio", afirma Gabriel Tannus, presidente da Interfarma, associação que congrega as empresas farmacêuticas que realizam pesquisas.


O lançamento mais recente dessa nova classe de medicação é o Aclasta. A droga é indicada contra a osteoporose, doença que fragiliza os ossos progressivamente. O paciente pode tomar uma dose intravenosa por ano. Antes, o Bonviva havia aberto o caminho. Lan- Medicina - ESPECIAL - Vivendo Melhor 2008 de longa duração lançado em 2005, o medicamento faz efeito com uma dose mensal.


Bons exemplos desta categoria "longa duração" também são encontrados na psiquiatria. Em 2007, chegou ao mercado o Seroquel XR, contra a esquizofrenia. Trata-se de uma nova formulação para ser consumida uma vez ao dia. O medicamento se junta ao Risperdal Consta, primeiro antipsicótico de sua classe de efeito prolongado - o recomendado é uma dose a cada 15 dias. Nesta especialidade, contar com alternativas do gênero representa uma maior segurança de que o paciente tomará a droga na dose certa para controlar sintomas que podem ser extremamente prejudiciais a ele próprio e a outras pessoas. Portadores de esquizofrenia não medicados adequadamente, por exemplo, podem cometer atos violentos contra si ou familiares.


O combate da artrite reumatóide - doença inflamatória crônica das articulações que acomete 1,2 milhão de brasileiros - conta com duas novas armas de efeito prolongado. A primeira é o Orencia, que acaba de chegar ao Brasil e é tomado uma vez por mês, durante uma sessão de 30 minutos. A dona-de-casa Maria de Lourdes de Camargo, 56 anos, usa a medicação. "É muito melhor do que tomar remédio todo dia", conta. O médico Morton Scheinberg, coordenador de um trabalho sobre a droga no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, acredita no potencial da estratégia. "É bem mais confortável para o paciente", afirma. O outro recurso é o Enbrel, de dose semanal. E nos laboratórios há várias outras opções em estudo. Uma delas é o alentuzumabe, contra a esclerose múltipla. Enquanto os remédios tradicionais devem ser tomados várias vezes por semana, esta droga foi desenvolvida para ser usada somente duas vezes por ano. Um alento.

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