Comerciante de Maringá (PR), que passou o fim de ano em Caldas Novas, morreu na terça-feira com sintomas sugestivos da doença. Médico que o atendeu confirma diagnóstico clínico
As autoridades de saúde do Paraná e de Goiás investigam a morte de um comerciante de Maringá (PR), na terça-feira, com sintomas sugestivos de febre amarela. Almir Rodrigues da Cunha, de 47 anos, que há dez anos vivia com a família no Paraná, passou as festas de fim de ano na região de Caldas Novas e uma das suspeitas é a de que o comerciante tenha contraído o vírus da doença no município goiano. O Estado está em alerta desde o início do ano passado, quando duas pessoas morreram em Jataí, vítimas da doença. Em outubro começaram a ser registrados casos de epizootia (doença e mortes de animais, especialmente macacos) em dezenas cidades, chegando a 50 municípios esta semana.
Com este caso, sobe para três as suspeitas de óbitos pela doença em Goiás. O corpo do comerciante chegou ontem a Caldas Novas, onde vive parte dos familiares.
O sepultamento está marcado para hoje de manhã. A morte do comerciante provocou pânico entre os moradores. Na tarde de ontem eles procuraram em massa as unidades de saúde em busca de vacinas. A Secretaria Municipal de Saúde anunciou para hoje a instalação de oito postos volantes de imunização na cidade e nos povoados vizinhos para atender à demanda.
Os postos atenderão das 8 às 17 horas, inclusive no centro da cidade, onde funcionava a antiga rodoviária. Cerca de 30 parentes que tiveram contato recente com o comerciante foram vacinados ontem mesmo. Uma prima dele, Giovana Vieira Lopes, disse ao POPULAR que Almir chegou a Caldas Novas na sexta-feira anterior ao natal, dia 21 de dezembro. No trajeto entre Maringá e Caldas passou uma noite com a família em Prata (MG). Entre os dias 26 e 29 esteve também em Aloândia.
Nessas localidades, freqüentou chácaras de parentes na zona rural dos municípios. No dia 2 de janeiro retornou para o Paraná. No último domingo, dia 6, foi internado no Hospital Santa Rita, de Maringá, com sintomas como febre, dor no corpo, icterícia e insuficiência hepática. Na terça-feira, morreu. Almir deixa mulher e duas filhas de 15 e 20 anos.
Diagnóstico O médico intensivista do Hospital Santa Rita, José Ramos Martins, informou que o comerciante ficou menos de 30 horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ?Seu quadro evoluiu rapidamente para a morte.? De acordo com o especialista, ?o diagnóstico clínico e epidemiológico do paciente é de febre amarela.? Conforme nota enviada pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SES-PR), a morte do comerciante foi decorrente de síndrome icterofebril hemorrágica aguda, quadro clínico presente também em doenças como hantavirose, dengue e leptospirose. Não há, no Paraná, registro de casos de febre amarela silvestre nem urbana.
Ainda de acordo com a SES-PR, ?foram colhidas amostras de material para todos os exames laboratoriais indicados nos diagnósticos diferenciais etiológicos: leptospirose, hantavirose, dengue e febre amarela.? Segundo informou o órgão, a suspeita de febre amarela foi aventada pelo fato de a vítima ter estado em área de risco, no Estado de Goiás. Há garantia de que os resultados dos exames laboratoriais enviados para o Laboratório Central do Paraná, como dengue e leptospirose, serão realizados com a maior agilidade possível.
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