Pesquisadores nos Estados Unidos, coordenados por uma cientista brasileira no Texas, utilizaram células-tronco embrionárias para o tratamento de distrofias musculares. O estudo foi feito com camundongos portadores de uma condição semelhante à distrofia de Duchenne em seres humanos. Os resultados mostram como um transplante de células-tronco pode reverter os sintomas da doença - pelo menos parcialmente.
A distrofia de Duchenne é uma doença genética grave, na qual as células musculares não produzem distrofina, uma proteína-chave para o funcionamento dos músculos. Conseqüentemente, ocorre um processo de degeneração muscular, que deixa o paciente incapacitado e acaba levando-o à morte.
A idéia da terapia celular seria utilizar células-tronco embrionárias para formar células musculares (mioblastos) saudáveis in vitro e, depois, transplantá-las para o paciente. Foi o que fizeram os cientistas em camundongos - primeiro passo para o desenvolvimento de qualquer terapia em seres humanos. Animais doentes que receberam o transplante voltaram a produzir distrofina e tiveram aumento significativo de força muscular.
Desafios
A autora principal do trabalho, publicado na revista "Nature Medicine", é a bioquímica gaúcha Rita Perlingeiro, que desde 2003 é pesquisadora da University of Texas Southwestern. Tão importante quanto o resultado clínico nos camundongos foi a técnica desenvolvida para chegar até ele. A primeira dificuldade foi induzir, de forma sistemática, a diferenciação das células-tronco embrionárias em células precursoras de músculo esquelético. Para isso, a equipe descobriu que é preciso ativar um gene chamado Pax3.
O segundo desafio foi selecionar estas células dentre todas as outras no meio de cultura. Sem essa "purificação" das amostras, é grande o risco de formação de tumores, como mostrou o primeiro transplante feito no estudo. Os cientistas, então, estabeleceram uma metodologia para seleção e purificação dos mioblastos, usando proteínas na superfície das células. Nos transplantes seguintes, não houve formação de tumores. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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