Apesar da disponibilidade dos medicamentos anti-retrovirais no Sistema Único de Saúde (SUS), o início do tratamento da Aids ainda é tardio e não envolve 100% dos pacientes. É o que aponta o relatório "UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007", divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde.
O levantamento indica que, entre os anos de 2003 e 2006, 43,7% das cerca de 50 mil pessoas de 15 anos ou mais com HIV chegaram aos serviços de saúde com deficiência imunológica ou quadro clínico de sintomas da Aids. Desse total, 28,70% apresentaram quadro clínico mais grave e morreram no início do tratamento. O universo analisado foi de 115.441 pacientes.
Dados de 2006 também mostram que 94,8% das 194 mil pessoas que necessitavam de tratamento anti-retroviral fizeram uso da terapia nesse ano.
Segundo a diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, o início tardio pode ser provocado por dificuldade de acesso ao diagnóstico e pelo fato de que muita gente não se vê em risco e, por isso, não faz o teste.
As estatísticas mostram que apenas 8% da população faz o exame de detecção do HIV de forma espontânea. O restante realiza o teste em situações como atendimento pré-natal e doação de sangue, entre outras. Cerca de 32% dos brasileiros já fez o teste pelo menos uma vez na vida.
Pedro Chequer, representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) no Brasil, afirma que a proporção de pessoas com o vírus que iniciam o tratamento tardiamente é similar a de outros países, como Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, que apresentam taxas que variam entre 15% e 45%.
Mariângela acredita que o estigma da doença e as desigualdades regionais são fatores que influenciam esse resultado. Ela diz que, para mudar esse cenário, o Ministério da Saúde ampliou o acesso aos testes rápidos em aproximadamente 140% (de 510 mil exames em 2005 para mais de 1 milhão em 2007).
O orçamento para o Programa Nacional de DST e Aids em 2007, segundo o Ministério, foi de R$ 1,3 bilhão e representou quase 3% do orçamento total da pasta.
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