Aparelhos médicos como os marca-passos são vulneráveis ao ataque de piratas virtuais, que poderiam ter acesso à informação privada sobre um paciente ou reprogramá-lo e colocar sua saúde em risco, revelou um estudo norte-americano nesta quarta-feira.
Uma equipe de pesquisadores liderado pelos cientistas Kevin Fu, da Universidade de Massachussetts, e Tadayoshi Ono, da Universidade de Washington, especialistas em informática, além do cardiologista William Maisel, da escola de Medicina de Harvard, conseguiu interceptar sinais enviados por um marca-passo.
"O aparelho continha informação sobre o nome do paciente, as características de seu tratamento, sua data de nascimento e informações adicionais de seu médico", explicou Fu à agência France Presse.
"Além disso, pudemos modificar essas características por meio de uma máquina não autorizada que construímos. Então, por exemplo, podemos causar a desfibrilação quando não deveria ocorrer", afirmou.
Os aparelhos modernos recebem sinais a uma pequena distância, mas a tecnologia expande o alcance dos aparelhos e ainda melhora o potencial para interceptar a informação.
O estudo destaca que, até agora, não há informações sobre ataques a marca-passos de qualquer tipo.
"A principal preocupação é com o que pode ocorrer no futuro quando esses aparelhos se tornarem mais sofisticados, quando tiverem tecnologia sem fio e forem conectados à internet, quando começarem a interagir com outros equipamentos", disse Fu.
"No futuro, pode existir um desfibrilador que 'fale' com um coquetel de medicamentos no corpo", explicou. "Queremos ter certeza de que a comunidade entenda como a segurança e a privacidade afetam a busca por eficiência à medida que novas tecnologias chegam à medicina".
Apesar das falhas de segurança reveladas pelo estudo, Fu afirmou que as vantagens de utilizar um marca-passo são muito superiores às possíveis desvantagens de segurança e privacidade.
"Quando um médico diz a um paciente que ele precisa de um desse aparelhos para levar adiante uma vida normal e saudável, é muito melhor e mais seguro ter o aparelho implantado", disse.
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