Síndrome neurológica intimamente ligada ao estilo-de-vida do portador, a enxaqueca não se caracteriza apenas pela dor de cabeça, sintoma comumente mais associado, mas por um complexo quadro sintomático. O neurologista Dr. Daucyr Pleutin Miranda explica também que a enxaqueca não é diagnosticada somente pelos exames clínicos, mas através de uma avaliação dos sintomas associados. Neste caso, a cefaléia "tem uma característica pulsátil ou latejante", explica o neurologista. Ele acrescenta que a dor pode durar de três horas até três dias, acompanhada de aversão à luz, sons ou cheiros fortes, além de sensações de calor ou frio, sudorese, vômitos, diarréia, embaçamento da visão e até mesmo diminuição parcial e temporária da capacidade auditiva.
"A fisiopatologia ou mecanismos que desencadeiam a enxaqueca não são totalmente esclarecidos" esclarece o Dr. Daucyr Pleutin Miranda e que, apesar de não se encontrar, comprovadamente, alterações genéticas no portador, sabe-se que outras pessoas da família deste geralmente apresentam os sintomas.
A patologia não tem cura, mas as crises podem ser evitadas ou sua freqüência diminuída através da restrição de determinados alimentos e fazendo uso medicamentos preventivos.
As dores podem ser incapacitantes, afirma o Dr. Daucyr Pleutin Miranda e as crises podem ser desencadeadas tanto pela hipoglicemia (que ocorre quando a pessoa fica muito tempo em jejum), quanto pela ingestão de certos alimentos gordurosos (chocolate, amendoins, castanhas, por exemplo), álcool e tabaco. Ele alerta que carnes em conserva (embutidos) contêm substâncias vaso-dilatadoras e que "a dilatação das veias ao redor do cérebro é o que desencadeia a dor", portanto também são alimentos contra-indicados. E observa que pessoas que sofrem de enxaqueca durante muitos anos, já sabem identificar, por si mesmas, quais são os alimentos que podem desencadear uma crise.
A estudante Ariane de A. Silveira, de 19 anos, descreve os sintomas que precedem à cefaléia: "Meu olho começa e queimar e embrulha meu estômago". Em sua crise mais forte, ela conta que "a dor atacou a cabeça até o ponto de eu desmaiar. Fui internada e precisei tomar soro".
Por ter vínculos com as flutuações dos índices hormonais, a enxaqueca é mais comum nas mulheres, indica o médico Daucyr Pleutin Miranda, principalmente no período pré-menstrual. Além disso, a cefaléia pode ser precedida de euforia, irritabilidade ou depressão.
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