X

Jovens gays abrem mão da camisinha e casos de Aids aumentam

Compartilhe:

A-

A+

Uma pesquisa da organização não-governamental Arco-íris, do Rio de Janeiro, chamada Juventude Gay, Comportamento e Aids realizada no fim de 2007 com 150 com jovens, de 14 a 29 anos, mostrou que 51,6% dos gays, dos homens que fazem sexo com homens (HSF) e dos travestis entrevistados declararam abrir mão da camisinha em pelo menos alguma situação em que houve dificuldade de negociar o uso do preservativo. No início deste ano, a coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde ao lançar o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, HSH e Travestis apontou aumento do percentual de casos de Aids nesse grupo. Dos infectados por HIV, na faixa etária entre 13 e 19 anos, os gays, os HSH e os travestis correspondiam a 40% dessa população, em 2005. Em 1999, essa parcela era de 18%.


Para falar não só do aumento dos casos de Aids entre os jovens gays, mas também da saúde da população GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), de sexta-feira (16) a domingo (18), o Ministério da Saúde participou da Conferência Estadual de Políticas Públicas GLBT do Rio de Janeiro, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Rua São Francisco Xavier 524 - Maracanã).


Na ocasião, a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa, Ana Maria Costa, que compôs a mesa de abertura, no Teatro Odylo Costa Filho, apresentou o documento Saúde da População GLBT, que propõe sensibilizar os profissionais de saúde para as questões de gênero. Entre outras sugestões do relatório estão a inclusão no prontuário do Sistema Único de Saúde (SUS) da orientação sexual do indivíduo e garantir a participação dos segmentos GLBT na formulação de políticas públicas, por meio da participação nos conselhos e conferências de saúde.


Em todas as conferências estaduais GLBT pelo país, o Ministério da Saúde alerta para a saúde desse grupo. Outra diretriz do documento é garantir a inclusão dos temas GLBT na formação dos profissionais da saúde de nível técnico e da graduação e dos profissionais do SUS. Com essa medida, a idéia é evitar situações constrangedoras e de preconceito nas unidades de saúde.


Ao procurar o Sistema Único de Saúde (SUS), não é raro esse grupo sofrer preconceito por parte dos médicos e demais profissionais de saúde nos hospitais. "É uma contradição sermos um dos poucos países a oferecerem o tratamento de Aids gratuitamente pelo serviço público e ainda hoje a população GLBT sofrer aversão no Sistema Único de Saúde", afirma Ana Maria Costa.


O documento Saúde da população GLBTT institui o combate à homofobia institucional com ampliação do atendimento humanizado no SUS para promover a equidade no atendimento em saúde.


Veja a seguir outras diretrizes do documento para a Saúde da População GLBTT:


 Sensibilizar gestores e gerentes públicos da saúde sobre os efeitos da homofobia, lesbofobia e transfobia como elemento da vulnerabilidade, que gera obstáculos ao acesso e à promoção da equidade da população GLBT.


 Implantar e implementar instâncias de promoção da equidade na Saúde da População GLBT no âmbito das gestões estaduais e municipais.


 Incluir os quesitos étnico-racial, orientação sexual e identidade de gênero nos formulários e sistemas de informação do SUS.


 Garantir apoio técnico e institucional aos movimentos sociais GLBT para fortalecimento da consciência do direito à saúde e em defesa do SUS.


 Organizar redes integradas de atenção à população GLBT em situação de violência doméstica, sexual e social, em parceria com os Centros de Referência GLBT/SEDH.


 Implantar a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde como rotina dos serviços, garantindo a inclusão do nome social nos prontuários de atendimento, no cartão SUS e ficha de ESF dos serviços de saúde.


 Fomentar realização de pesquisas e produção de conhecimento em saúde da população GLBT.


 Fortalecer a atenção básica ampliando e garantindo o acesso à população GLBT, promovendo a integralidade e a equidade da atenção integral à saúde.


 Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do SUS, todas as configurações familiares, para além da heteronormatividade.


 Qualificar a atenção básica no cuidado aos idosos GLBT, dando continuidade ao processo de implantação e implementação da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e a atenção domiciliar humanizada ao idoso GLBT.


 Garantir atenção à saúde integral e os direitos sexuais e reprodutivos em todas as fases de vida, para as mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais, nos âmbito do SUS.


 Implementar e aperfeiçoar as ações de enfrentamento da epidemia de AIDS e outras DST junto à população GLBT.


 Implantar e implementar a assistência em urologia e proctologia para homens gays, bissexuais e travestis nos estados e municípios, dentro da perspectiva da Política de Saúde Integral do Homem.


 Implantar Centros de Referência com Assistência Interdisciplinar a Transexuais garantindo a assistência endocrinológica integral para travestis e transexuais.


 Elaborar e regulamentar os Protocolos do Processo Transexualizador no SUS.


 Fomentar a realização de pesquisas e estudos para produção de protocolos e diretrizes a respeito da hormonioterapia, implante de próteses de silicone e retirada de silicone industrial para travestis e transexuais.


 Qualificar a atenção à saúde mental em todas as fases de vida da população GLBT prevenindo os agravos decorrentes dos efeitos da discriminação, do uso de álcool e outras drogas e da exclusão social.


 Promover a humanização da atenção à saúde da população GLBT em situação carcerária.


 Garantir a extensão do direito à saúde suplementar ao cônjuge dependente entre os casais GLBT.


 Garantir o acesso universal e integral de reprodução humana assistida às mulheres lésbicas e bissexuais em idade reprodutiva.


 Implementar ações de vigilância, prevenção e atenção a violência contra homossexuais.


A conferência do Rio de Janeiro foi organizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro e pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. Na abertura estiveram presentes o governador do RJ, Sérgio Cabral, e Paulo Biagi, como representante da Secretaria Especial de Direitos Humanos. A Conferência Nacional será realizada entre os dias 6 e 8 de junho em Brasília.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Democratas assumem controle das duas casas do Congresso dos EUA

INTERNACIONAL

Democratas assumem controle das duas casas do Congresso dos EUA

Partido conquistou maioria na Câmara e no Senado; resultado muda a relação entre Legislativo e governo Trump

Polícia Civil apura confusão que deixou dois idosos feridos em aldeia

TAUNAY

Polícia Civil apura confusão que deixou dois idosos feridos em aldeia

Ocorrência mobilizou equipe da PM de Aquidauana; versões sobre o início da discussão são divergentes

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo