O tema deste ano do Dia Mundial sem Tabaco - 31 de maio - escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é "Juventude livre do tabaco". A campanha tem como objetivo alertar a sociedade sobre as estratégias que a indústria do cigarro utiliza para atrair novos consumidores ao desenvolver embalagens atrativas, sabores diferenciados e se envolver com corridas de carro, esportes radicais e shows de rock, por exemplo.
O tabaco é uma planta solanácea (família de plantas arbustivas ou herbáceas) cujas folhas, a princípio, eram utilizadas como remédio, sob o nome de erva-santa. Depois de anos descobriu-se que também servia para fumar, cheirar ou mastigar.
No princípio, o hábito de fumar no mundo era um comportamento predominantemente dos homens. Entre mulheres, o tabagismo era pouco comum até a década de 1930. O início da expansão do hábito de fumar no sexo feminino coincide com o início de uma publicidade voltada especificamente para este grupo populacional.
Atualmente, o tabagismo é considerado problema de saúde pública no mundo. O tabaco, em todas as suas formas, aumenta o risco de mortes prematuras e limitações físicas por doença coronariana, hipertensão arterial, acidente vascular encefálico, bronquite, enfisema e câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, bexiga, rim e colo de útero). Ele é causador de uma em cada oito mortes, além disso, estudos mostram que um em cada três adolescentes fumantes morrerá prematuramente devido ao tabagismo.
Se não houver uma mudança de atitude, a OMS estima que o número de fumantes passará do ano 2000 a 2030 de 1,2 bilhões para 1,6 bilhões e que o número de mortes anuais atribuíveis ao tabagismo aumentará de 4,9 para 10 milhões, sendo que 70% ocorrerão nos países menos desenvolvidos.
Cerca de 80% a 90% dos fumantes iniciam-se no tabagismo antes de 18 anos, sendo que, nos países em desenvolvimento, a maior proporção de jovens inicia-se em torno dos 12 anos. Além das conseqüências à saúde, o tabagismo provoca enormes custos sociais, econômicos e ambientais. Em todas as idades, o custo médio com cuidados à saúde de fumantes supera o de não-fumantes. Quanto aos danos causados ao meio ambiente, destaca-se a poluição por pesticidas e fertilizantes durante o plantio bem como o desflorestamento necessário para a cura da folha de tabaco.
Outro fator a ser analisado deve incluir também os efeitos do tabagismo passivo. A exposição involuntária à fumaça ambiental do cigarro aumenta o risco de câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica e insuficiência coronariana. Em crianças, aumenta o risco de sintomas respiratórios, episódios de asma, de doença respiratória aguda, síndrome da morte súbita na infância e infecções de ouvido médio.
Campo Grande
Entre 2002 e 2003, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) aplicou uma pesquisa em 15 capitais mais o Distrito Federal para levantamento de informações mais específicas sobre o tabagismo no Brasil. A Capital sul-mato-grossense foi uma das cidades selecionadas.
O "Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos não Transmissíveis" trabalhou com dois modelos de questionário: um para pessoas de 15 a 19 anos e outro para pessoas de 20 anos ou mais, e o resultado dos dados é preocupante.
Tratando-se especificamente de Campo Grande, a pesquisa divulgou que, num grupo de 697 pessoas, 19,5% dos homens e 10,5% das mulheres na faixa etária de 15 anos ou mais de idade consideram-se fumantes regulares.
Com exceção da Capital, em todas as cidades, o consumo de cigarros foi maior entre os indivíduos com 25 anos ou mais de idade. Em relação ao nível de escolaridade, 16,8% não tinham o ensino fundamental completo e 11,7% possuíam nível superior ou uma graduação maior.
O quesito exposição ambiental à fumaça do tabaco foi analisado através do percentual de indivíduos não-fumantes, no momento da pesquisa, que se encontravam expostos dentro de seu domicílio. Campo Grande registrou 10,2% de índice. O grupo etário de entrevistados entre 15 e 24 anos apresentou percentuais mais elevados do que o grupo de 25 anos ou mais, variando de 14,4% em Campo Grande a 36,8% em Natal (RN).
Um dos resultados de maior preocupação é o que se refere aos fumantes regulares quanto à idade de iniciação e número de cigarros fumados ao dia. A maior parcela da população entrevistada começou a fumar antes dos 20 anos, com percentuais que giram em torno de 70%. Campo Grande obteve o seguinte registro: de 99 fumantes regulares, 69,7% começaram o hábito entre 5 e 19 anos e 30% na faixa etária dos 20 a 55 anos de idade.
Mato Grosso do Sul
A gerente do Programa de Prevenção ao Tabagismo da Secretaria de Estado de Saúde, Albertina Martins, destaca que para trabalhar a prevenção é necessário antes desenvolver ações para conscientizar a população. Com esse intuito, o governo estadual desenvolve quatro subprogramas: o "Saber Saúde", o "Estilo de vida saudável", a capacitação para tratamento de fumantes e o "Ambiente Livre de Tabaco".
O "Saber Saúde" - Programa de Controle de Tabagismo - trabalha a prevenção nas escolas, tanto da rede pública quanto privada, e o fórum "Estilo de vida saudável" é realizado anualmente, em parceria com universidades, organizações não-governamentais e comunidade, para a discussão de projetos que promovam a qualidade de vida nos municípios.
O terceiro é o programa de abordagem e tratamento do fumante, realizado por meio de capacitações nos municípios onde existem unidades de referência credenciadas para oferecer serviços de atendimento aos fumantes e o "Ambiente Livre de Tabaco" é direcionado a empresas e promove ações que garantam qualidade de vida entre os trabalhadores.
Até o momento, cerca de três mil pessoas já foram beneficiadas com os programas estaduais e pararam de fumar. Em 2008, a oferta dos programas de prevenção passou de 17 para 24 municípios atendidos. Todo o tratamento, inclusive com a doação dos remédios, é efetuado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e oferecido gratuitamente. A equipe do programa é composta por psicólogo, médico, enfermeira e assistente farmacêutico. Dúvidas e informações mais específicas dos programas estaduais podem ser tiradas pelos telefones (67) 3318-1664 ou 3318-1740.
No sábado (31), as ações de prevenção ficarão a cargo de cada uma das 78 Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul.
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