Ele chegou ao país em 1976 e agora, em 2008, ganhou do governo brasileiro uma data oficial para seu aniversário: 6 de junho, que passa a ser o Dia Nacional do Teste do Pezinho. Gotas de sangue colhidas do calcanhar durante a primeira semana de vida podem afastar a deficiência mental, além de detectar a anemia e problemas nos sistemas respiratório e digestivo. Não à toa, esse exame, também conhecido como triagem neonatal, hoje é obrigatório por lei no país: todo recém-nascido precisa fazer o teste, que fareja distúrbios prejudiciais ao seu desenvolvimento.
"A criação de um dia nacional é importante para conscientizar a população e a comunidade médica sobre a importância de prevenir esses problemas", acredita José Alcides Marton, presidente da União Brasileira dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal Credenciados (Unisert).
Toda mãe, como você, é curiosa e quer saber como o exame é feito. Ele é simples. Entre o terceiro e o sétimo dia de vida, um profissional de saúde dá uma espetadela com uma agulha descartável no pé do bebê. Quase não sangra. Às vezes, é preciso até pressionar ligeiramente o calcanhar para a gotinha vermelha sair e, daí, ser apanhada por um papel filtro, que é levado para a análise.
Talvez você ainda pergunte: por que não fazer tudo na sala de parto, em vez de esperar o terceiro dia de vida? Quem responde para o site do seu bebê é o neurologista Ehrenfried Wittig, da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal: "Uma das análises laboratoriais que realizamos com essa amostra de sangue depende da ingestão de leite, por isso a coleta não pode ser feita antes de 48 horas de vida, para garantir que a criança já tenha sido amamentada", justifica.
Segundo José Alcides Marton, o presidente da Unisert, hoje 85% dos recém-nascidos são atendidos pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde, que prevê o diagnóstico de quatro doenças congênitas e o tratamento das crianças quando o resultado dá positivo para alguma delas. Mas... Há a sempre um mas: a maioria dos estados ainda não se adequou ao programa e muitos fazem o exame para apenas duas ou três das enfermidades. Somente Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná oferecem o pacote completo, por assim dizer.
O ideal é que o teste do pezinho seja realizado na própria maternidade - ou assim que a mãe receber alta. Na rede privada, é possível optar pela versão ampliada, também chamada de Plus, que custa cerca de 200 reais e detecta uma lista maior de doenças - o número varia entre dez e 30, conforme o serviço. Detalhe: aí, apesar do apelido que ganhou no Brasil, o exame nem sempre é realizado no pé. O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo, colhe a amostra direto de uma veia do braço do recém-nascido. "Para fazer o teste ampliado, precisamos de uma quantidade maior de sangue", explica Arno Warth, neonatalogista do hospital. A maioria das maternidades, no entanto, continua optando pelo calcanhar, no qual há uma grande quantidade de vasos e poucos nervos - o que facilita a punção e evita a dor.
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