A pré-eclâmpsia, complicação na gravidez caracterizada por aumento na pressão arterial, edema e liberação de proteínas na urina, pode aumentar os riscos de problemas cardiovasculares na mulher anos após a manifestação, segundo estudo finlandês. De acordo com os autores, isso ocorre porque a complicação pode alterar a forma como as artérias respondem à insulina.
Em pesquisa realizada no Hospital da Universidade de Helsink, os especialistas avaliaram 28 mulheres não-obesas que tiveram pré-eclâmpsia grave durante a gestação, comparando-as com 20 mulheres com gravidez normal. E descobriram uma associação entre a sensibilidade à insulina nas mulheres e o histórico de pré-eclâmpsia.
"Apesar da sensibilidade à insulina em mulheres não-obesas com pré-eclâmpsia anterior ser similar àquela nas mulheres do grupo controle, houve uma correlação significativa entre a relação cintura-quadril, triglicérides e sensibilidade à insulina apenas em mulheres com histórico de pré-eclâmpsia", destacaram os autores na edição de 23 de junho da revista "Hypertension".
Os resultados mostraram que, após cinco ou seis anos, apenas entre aquelas que tiveram a complicação na gravidez, havia uma associação entre a sensibilidade à insulina e disfunção nas artérias. A sensibilidade à insulina só estava relacionada à vasodilatação nas mulheres que tiveram pré-eclâmpsia.
"Nós fomos os primeiros a sugerir que a pré-eclâmpsia poderia ser a primeira manifestação da síndrome metabólica", disseram os autores. "Embora a pré-eclampsia seja curada principalmente após o parto, tem sido demonstrado que as características da síndrome metabólica prevalecerão por meses e até vários anos após a gestação com pré-eclampsia".
E eles destacam que essa complicação pode deixar as mulheres mais sensíveis aos efeitos nocivos do ganho de peso e do aumento da relação cintura-quadril, levando à resistência à insulina, que aumenta os riscos de aterosclerose. Por isso, elas deveriam ser avaliadas regularmente quanto à pressão, aos níveis de colesterol e de glicose.