Cientistas da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, identificaram dois grupos de substâncias que vão aprimorar as armas contra o mosquito da dengue. Segundo os pesquisadores, a descoberta será útil para melhorar armadilhas que atraem fêmeas grávidas do Aedes aegypti. O estudo será publicado esta semana na versão digital da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Durante a pesquisa, os cientistas colocaram recipientes com água limpa ao lado de infusões com folhas de bambu. Cerca de 85% dos ovos, em média, foram depositados nas infusões. Trabalhos anteriores já mostravam que o mosquito da dengue prefere deixar seus ovos na água com folhas em fermentação.
Os pesquisadores americanos descobriram quais substâncias são responsáveis pela preferência: bactérias que degradam as folhas produzem ácidos carboxílicos específicos e metil ésteres. Segundo o estudo, eles atuam "como poderosos estímulos para a deposição dos ovos (na água)".
Coby Schal, co-autor do artigo, explicou ao Estado que dois elementos não podem faltar em uma armadilha eficaz: substâncias que só atraem mosquitos e estimulantes para a deposição dos ovos. "Nossa pesquisa já descobriu esse último elemento", afirma Schal. "Agora, vamos procurar o primeiro."
NO BRASIL
Lêda Régis, bióloga do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, da Fundação Oswaldo Cruz, estuda a utilização de armadilhas - conhecidas como "ovitrampas" - para o controle de vetores no Recife (PE). As fêmeas depositam os ovos em um recipiente com água. Muitas vezes, eles são destruídos antes de eclodir. Caso contrário, um inseticida matará as larvas.
"A tendência atual é utilizar armadilhas", afirma Lêda. "Só larvicida não funciona." Ela também considera muito difícil eliminar todos os criadouros. "Se só houver esforços nesse sentido, os mosquitos simplesmente vão mudar de lugar."
Em fevereiro, ela divulgou um estudo na publicação científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz em que mostra a eficácia da utilização das "ovitrampas" para controle de vetores em sete bairros do Recife.
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