Para o Festival de Inverno de Bonito, que ocorrerá entre os dias 30 de julho e 3 de agosto, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FUNDAC) selecionou o espetáculo teatral "No gosto doce e amargo das coisas de que somos feitos", com direção de Nill Amaral, dramaturgia de Claudia Pucci e elenco composto por Aline Duenha, Luciana Kreutzer, Ligia Prieto e Bruno Moser.
O espetáculo tem duração de 50 minutos e foi construído em torno da obra de Clarice Lispector, na ocasião da homenagem de 30 anos do falecimento da escritora, em 2007, conforme informa Nill Amaral.
"Era algo desafiador para nós, porque nós tínhamos a preocupação em trabalhar um texto autoral baseado no fluxo de linguagem da escritora, sem correr o risco de realizar uma 'colcha de retalhos' ou uma adaptação em torno alguma obra dela", revela Nill. Ele aponta que as características "frases relâmpagos" da escritora, foram a base para a construção do espetáculo.
Também deram a devida importância para o "laboratório", etapa em que trabalharam "técnicas de desenvoltura e integridade, como forma de potencializar a estética desenvolvida para a encenação".
Nill afirma que o processo de criação estética é do diretor. Mas conta que as descobertas do ator somam, gerando uma autoria coletiva e uma "estrutura mais flexível" que permite ao ator desenvolver a cena.
Do início da pesquisa, passando pela construção do texto e ensaios, até a estréia, foram 10 meses. Desde a primeira apresentação, o espetáculo tem se desenvolvido, em termos técnicos, sensoriais e subjetivos. O diretor acredita que "cada espetáculo é único, pois a sensibilidade do ator, o seu felling diante da platéia pode ser diferente a cada apresentação".
Nill é da opinião de que, apesar da arte também ser uma forma de entretenimento, tem que exercer um papel social. "E ela geralmente exerce esse papel quando é boa, bem feita". Ele diz que, no caso de "No gosto doce e amargo das coisas de que somos feitos", observou que pessoas passaram a ler Clarice Lispector, após assistirem a peça. "Portanto, acho que estamos exercendo também uma função de desenvolvimento da cultura e da arte".
Ele acrescenta que "o teatro é uma das artes que mais produzem resultados sociais positivos" e, a partir de suas experiências com pessoas em regime carcerário, percebeu que "o exercício da criação e interpretação teatral tem produzido um grande impacto sobre elas".
"É verdade que não é muito fácil produzir teatro em Mato Grosso do Sul", já que é uma forma de arte que exige investimentos altos. Apesar de acreditar que "não temos ainda um olhar especial para o teatro" em MS, aponta que, graças aos incentivos governamentais, estamos evoluindo. "Mas precisamos caminhar muito".
O diretor do espetáculo avalia que o Festival de Bonito consolidou-se "por unir arte e ecologia, promovendo o intercâmbio cultural e o pensamento artístico local". Ele acredita que o município onde o festival acontece, é um dos principais pólos turísticos do estado e que é necessário difundir a "nossa cultura, até para valorizar o evento". E destaca que, além dos atrativos naturais, "a cultura também é importante para quem está fazendo turismo".
Nill Amaral cita festivais, iniciativas governamentais, feiras culturais e projetos como meios de se levar o teatro para além dos centros urbanos. "Conseguimos levar pela Fundação de Cultura o espetáculo para três cidades, é pouco, mas é importante que se continue investindo e ampliando essas ações".
O teatro é uma língua universal, como pôde comprovar Nill. "Esse espetáculo tem produzido impactos diversos e muito positivos em todas as cidades que passamos. Ele tem sido visto por gente de todo tipo. E a assimilação tem sido satisfatória".
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