Os transplantes de órgãos salvam vidas, mas, segundo estudo recente da Escola Médica de Harvard, nos Estados Unidos, eles podem também aumentar o risco de os transplantados desenvolverem câncer. O estudo revelou que a droga imunossupressiva ciclosporina, comumente usada contra a rejeição, aumenta os níveis do fator de crescimento endotelial vascular (FCEV), levando ao crescimento de novos vasos sangüíneos que alimentam os tumores.
De acordo com os cientistas, os tumores que se desenvolvem após um transplante podem se originar de vírus presentes no órgão doado, de um câncer pré-existente ou de recorrência de um câncer anterior. E o estudo indica que a administração da droga anti-rejeição pode estar associada ao crescimento de tumores.
Avaliando células humanas de câncer renal implantadas em ratos, os pesquisadores descobriram, além dessa relação dos transplantes com o desenvolvimento de câncer, uma terapia anti-FCEV que poderia bloquear os efeitos indesejados da droga anti-rejeição, inibindo o crescimento dos tumores.
Os especialistas destacaram que essa terapia é uma grande notícia para os cerca de 15% a 20% dos pacientes, que desenvolvem câncer na mesma década em que receberam os transplantes. "A expressão do FCEV é necessária no estágio imediato após o transplante, mas, após a estabilização do órgão, reduzir a expressão do FCEV é importante para prevenir o crescimento do tumor e manter o câncer longe", concluíram.
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