"O negócio é ter o espírito, querer fazer um disco novo para construir uma obra, não por obrigação. Esse disco foi adiado três vezes, era para ter saído no ano passado."
A frase é de Xandão, guitarrista da banda carioca O Rappa, e se refere à criação do recém-lançado "7 Vezes", o sétimo álbum de um dos mais longevos e bem-sucedidos grupos da geração anos 90.
O guitarrista e o restante da banda --o cantor Falcão, o baterista Lobato e o baixista Lauro-- estão reunidos com a Folha em um estúdio em São Paulo, onde fazem show no próximo dia 20, no Credicard Hall, para falar sobre o primeiro álbum de inéditas desde "O Silêncio que Precede o Esporro" (2003)--entre eles, houve o "Acústico MTV" (2005), que os manteve em turnê até agora.
"Na estrada, você acaba perdendo a noção do tempo. Então, o momento de começar um disco novo surge naturalmente", diz Lauro. Lobato exemplifica melhor: "É como a vontade de ir ao banheiro, é fisiológico. Você sabe que tem que fazer naquela hora".
Falcão é quem situa a obra dentro da carreira da banda. "Lançamos "O Silêncio..." num momento em que duvidavam da gente, porque [achavam que] o Rappa era o Yuka", diz, referindo-se ao ex-baterista, compositor e principal letrista do grupo, que foi baleado em novembro de 2000, ficou paraplégico e deixou a banda no fim de 2002, após brigas internas.
"Com o "Acústico", pegamos nossa geração de fãs e, por ele ser visto pelas rádios como coisa mais leve, conquistamos também uma galera mais velha." Entre um disco e outro, perderam o produtor Tom Capone, com quem trabalhavam desde 2001, morto em um acidente de moto, em 2004.
"Chegou um dia em que não tínhamos mais Tom Capone, o "Acústico" já tinha passado, tínhamos conquistado o novo público, e chegou o momento em que veio um tapa nas costas do tipo "agora, é com vocês"."
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