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Exercícios para saúde dos olhos

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Trátaka Kriya são exercícios do yoga clássico, uma das seis técnicas de purificação do organismo, destinados à preservação da saúde dos olhos e, conseqüentemente, à prevenção e ao combate das doenças oftalmológicas.


Em sânscrito, Kriya significa "ação purificadora"; e trátaka, "olhar atentamente e fixamente". O termo Trátaka Kriya, no entanto, pode ser traduzido como "ação purificadora através do olhar fixo e atento", ou "exercícios de purificação e fortalecimento dos olhos".


Algumas considerações


Grande parte das doenças oftalmológicas é ocasionada pelo enfraquecimento de certas estruturas e membranas oculares e dos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, pelo processo de acomodação da visão (foco e nitidez da imagem) e também pela sustentação.


 O olho é o órgão do sentido da visão ligado ao cérebro pelo nervo óptico, encontra-se intimamente relacionado com o cérebro, de tal forma que a retina (membrana delgada e transparente localizada no fundo do olho, formada por células nervosas relacionadas com as fibras do nervo óptico e sensível à luz) nada mais é do que a expansão diferenciada do tecido cerebral.


 Cada olho é movido e controlado por seis músculos, que se encontram inseridos ao redor do globo ocular.


 A acomodação da visão é um processo pelo qual as pupilas (abertura normalmente redonda e central da íris) podem modificar seu formato ou diâmetro, através do movimento de duas pequenas estruturas musculares (dilatador e constritor), para enxergar objetos próximos ou distantes, de dia ou de noite, permitindo que os olhos obtenham um bom foco da imagem.


 Os raios luminosos, que penetram no interior dos olhos através da pupila, são focados na córnea (parte anterior do globo ocular, transparente, cuja forma arredondada e um pouco saliente atua como lente convergente) e no cristalino (pequena lente transparente, biconvexa, situada atrás da íris e diante do corpo vítreo, gelatina semilíquida e transparente) e formam imagem na retina.


 A retina contém milhões de células sensíveis à luz, chamadas de cones e bastonetes, as quais convertem a imagem em forma de impulsos nervosos.


 Os olhos controlam a quantidade de luz que deve chegar até a retina, fazendo com que as partículas luminosas formem a imagem no foco preciso, para que o cérebro possa compreender perfeitamente o que está sendo enxergado. Esses impulsos são transmitidos rapidamente pelo nervo óptico ao cérebro. As informações que percorrem através dos dois nervos ópticos são processadas no cérebro, dando origem a uma única imagem combinada.


Importância da dieta saudável e da suplementação nutricional


Estudos clínicos realizados em seres humanos demonstraram que o extrato de amora azul (contendo 25% de antocianidina), o extrato de Ginkgo biloba (24% de heterosídeos de ginkgo) e o sulfato de zinco são capazes de deter a perda visual progressiva.


 A naturopatia (remédios botânicos e suplementação nutricional específicos), a acupuntura tradicional chinesa (sistêmica, ocular e auricular) e a prática regular do yoga muito podem beneficiar os olhos, prevenir e combater doenças oftalmológicas. É preciso, no entanto, combater-se a automedicação e somente fazer-se uso de remédios e medicamentos sob a orientação e a prescrição de um profissional da área de saúde no consultório.


 Devem ser evitados alimentos rançosos, frituras, gorduras e outras fontes de radicais livres. Deve-se aumentar o consumo de: legumes ricos em aminoácidos que contêm enxofre; frutas e vegetais amarelos (ricos em carotenos); amoras, ricas em flavonóides (amora azul e preta, cerejas, acerola, etc.); alimentos ricos em vitamina E, licopeno e Vitamina C (frutas e vegetais frescos).


 É bem conhecida a importância da vitamina A para a saúde dos olhos. Sua deficiência pode ocasionar xerose (secura da conjuntiva, mucosa transparente e lisa que forra a face interna das pálpebras e a face anterior do globo ocular até a córnea) e xeroftalmia (secura da córnea), que pode levar à perda parcial ou total da visão, e cegueira noturna. Os primeiros sintomas da deficiência de vitamina A são: olhos vermelhos, secos, sem brilho, irritados e sensação de que algo incomoda, ou arranha os olhos; visão cansada e dificuldade de enxergar à noite.


 O zinco é importante na preservação da visão. Rutina, hesperidina, e resveratrol extract também devem ser empregados.


 As vitaminas B1, B2, B6 e B12 são também necessárias para a saúde dos olhos. A deficiência da vitamina B pode resultar na degeneração do nervo óptico (neurite, lesão inflamatória desse nervo), e os primeiros sintomas de sua deficiência incluem: dor, lacrimação e ardência (sensação de queimação).


 A vitamina C também é essencial aos olhos, fortalece os vasos sangüíneos que irrigam os olhos e protege as estruturas oculares contra a ação dos radicais livres e da radiação solar. Sua deficiência ocasiona: vista cansada, sensação de peso nos olhos e eventualmente, sangramento da conjuntiva. A melhor forma de se obter vitamina C é tomar diariamente em jejum, pele manhã, o suco de um limão, fresco de tamanho médio, diluído em um copo de água, sem açúcar ou adoçante.


 A catarata tem sido relacionada à deficiência de vitamina D. Essa vitamina também é necessária para a saúde dos olhos.


 Os antioxidantes nutricionais como betacaroteno, selênio orgânico, vitamina E, licopeno, leucoantocianidina (flavonóides, pigmentos vegetais, que conferem às plantas, frutas e flores as cores que variam de vermelho a azul e exercem uma ampla variedade de efeitos fisiológicos no organismo), etc. são também extremamente importantes na prevenção e no combate (avanço) da degeneração macular senil e juvenil.


Trátaka Kriyas - Exercícios de revitalização dos olhos


A saúde dos olhos depende muito da saúde do organismo num todo. A causa dos problemas da visão, como catarata, glaucoma, retinopatias, etc. encontra-se no mau funcionamento do organismo. A saúde integral depende de hábitos dietéticos e da prática regular de exercícios físicos saudáveis. A prática regular do yoga Clássico das Escolas de Patãnjali (Ashtanga Yoga) e Gorakshanatha (Hatha Yoga) muito pode beneficiar a saúde e prevenir doenças.


1. Antes de se iniciarem os exercícios de revitalização dos olhos, é preciso certificar-se de que o ambiente esteja, naturalmente, bem iluminado (apenas durante o dia). Sentar-se com as pernas cruzadas (sobre uma esteira ou um cobertor dobrado) e a coluna vertebral alinhada (evitando-se ficar corcunda), preservando-se a curvatura natural da coluna lombar; ou, então, sentar-se em uma cadeira, seguindo os mesmos cuidados. Respirar de forma lenta e profunda, prolongando a entrada e a saída do ar dos pulmões e relaxar todo o corpo, removendo-se as tensões psíquicas e musculares. A respiração lenta, profunda e rítmica acalma a mente, combate as tensões, relaxa a musculatura, favorece a concentração, revitaliza a mente e o corpo e melhora a disposição. A visão não depende apenas de olhos sadios. É sabido que o cérebro comanda os músculos dos olhos e os nervos ópticos através do sistema nervoso, e, por isso, qualquer perturbação do estado emocional e psíquico pode também prejudicar diretamente a visão. Com a mente mais calma e centrada e o corpo mais relaxado, passa-se para o próximo item.


2. Com os membros superiores relaxados, esfregar uma palma da mão na outra, aquecendo as mãos. Segundo as leis da física, o atrito gera uma energia calorífica e magnética. Quando as mãos estiverem aquecidas e repletas de energia, cobrir, então, rapidamente, os olhos fechados com as palmas das mãos (dedos unidos), transferindo a energia calorífica para os olhos. Relaxar as pálpebras e os globos oculares e respirar de forma lenta e profunda. Repetir o procedimento três vezes.


3. Estando num ambiente aberto, ao amanhecer, em contato com a natureza, permanecer de frente para o sol. Com os olhos fechados, inspirar e lentamente, flexionando a cabeça para trás, relaxando a musculatura do peito, das costas, dos ombros, do pescoço e da cabeça. Ao expirar, flexionar lentamente a cabeça para frente até o queixo tocar o peito. Repetir o procedimento três vezes. Depois, repousar a palma da mão esquerda sobre a cabeça, inspirar de forma lenta e profunda; ao expirar, tombar lateralmente a cabeça, aproximando a orelha esquerda do ombro, alongando a musculatura lateral direita do pescoço; permanecer nessa posição durante vinte segundos. Então, retornar e repetir o procedimento para o outro lado. Ao terminar o exercício, piscar rapidamente os olhos, olhando para o nascer do sol, durante um minuto. Logo após, fechar os olhos, respirar lenta e profundamente e relaxar todo o corpo, inclusive a musculatura facial.


4. Estender bem, a sua frente, o membro superior esquerdo com o dedo polegar voltado para cima e mantê-lo, a princípio, alinhado com o nariz. Olhar fixamente para a placa ungueal (unha) e observar atentamente o seu formato, a sua cor, a meia lua na base da unha, as linhas longitudinais e qualquer outro sinal que ela possa apresentar. Abrindo bem os olhos, procurar obter uma boa imagem e nitidez. Então, lentamente, mover o braço para o lado esquerdo e acompanhar o polegar com os olhos sem mover a cabeça (que deve, sempre, permanecer voltada para frente). O exercício é apenas para os olhos (durante todo exercício, apenas os olhos devem movimentar-se).


À medida em que se afastar lateralmente e devagar o polegar do eixo central do nariz (ponto de partida do exercício), abrir bem os olhos, procurar ajustar a visão, para que se possa ter, o tempo todo, uma imagem nítida da unha. A prioridade do exercício é a nitidez da imagem, pois o que se objetiva é exercitar estruturas oculares responsáveis pela nitidez da visão. Se, durante o exercício, a imagem perder a nitidez, parar, por alguns instantes, de movimentar o braço e tentar ajustar a visão, recobrando-se a nitidez. Ao se recuperar a nitidez da imagem, afastar lentamente o polegar. À medida que o polegar se aproximar do limite do campo visual, a imagem perderá a nitidez, a visão poderá tornar-se cansada, dupla ou trêmula; então, retroceder um pouco o polegar até a recuperação da nitidez da imagem; parar de movimentar o braço e ajustar a visão e, depois, retornar ao ponto de partida, sempre olhando atentamente para a unha. Descansar o braço esquerdo, repousando o antebraço sobre o joelho. Fechar os olhos, piscar algumas vezes (para hidratar e relaxar os olhos) e relaxar todo o corpo, respirando de forma lenta e profunda. Logo após, repetir o procedimento com o braço direito. No final do exercício com o braço direito, descansá-lo, repousando o antebraço sobre o joelho, fechar os olhos, piscar algumas vezes e relaxar todo o corpo, respirando de forma lenta e profunda.


5. Estender bem, à frente, o membro superior esquerdo com o dedo polegar voltado para cima e mantê-lo, a princípio, alinhado com o nariz. Lentamente, movê-lo para cima e acompanhar apenas com os olhos, sem movimentar a cabeça. Seguir as orientações anteriores. Chegando o polegar no limite do campo visual, retornar ao ponto central de partida. Descansar o braço esquerdo, repousando o antebraço sobre o joelho. Fechar os olhos, piscar algumas vezes (para hidratar e relaxar os olhos) e relaxar todo o corpo, respirando de forma lenta e profunda. Logo após, repetir o procedimento com o braço direito. No final do exercício com o braço direito, descansá-lo, repousando o antebraço sobre o joelho, fechar os olhos, piscar algumas vezes e relaxar todo o corpo, respirando de forma lenta e profunda.


6. Agora, com o braço esquerdo estendido à frente, mover o polegar transversalmente para cima, o máximo que puder. Após realizar o exercício com o braço esquerdo, descansar o braço, piscar algumas vezes, respirar de forma lenta e profunda e relaxar todo o corpo. Logo após, repetir o procedimento com o braço direito. Com o término desse exercício, descansar o braço, piscar algumas vezes os olhos, respirar profundo e relaxar.


7. Realizar, lentamente, cinco vezes, um movimento circular amplo com os olhos, da esquerda para direita, observando atentamente tudo o que estiver ao redor. Com o término do exercício, fechar os olhos, piscar algumas vezes, respirar profundo e relaxar. Repetir o procedimento, agora realizando um movimento circular da direita para esquerda. Com o término do exercício, fechar os olhos, piscar algumas vezes, respirar profundo e relaxar.


8. Manter o dedo polegar voltado para cima e a um palmo de distância da ponta do nariz. Olhar fixa e atentamente para a unha e procurar obter uma imagem nítida. Lentamente, afastar o polegar, estendendo o máximo o membro superior. Durante o afastamento e a aproximação do dedo polegar, procurar preservar a nitidez da imagem. Depois, retornar lentamente o dedo polegar a uma distância de um palmo do nariz. Feito isso, descansar o braço, piscar algumas vezes, respirar profundo e relaxar. Repetir o procedimento com o braço direito.


9. Fechar os olhos e tensionar a musculatura da face ao redor dos olhos (como se estivesse fazendo careta) durante 12 segundos e, depois, relaxar , respirando de forma lenta e profunda (mantendo os olhos fechados durante alguns instantes).


10. Repetir o item número dois.


11. E, para finalizar a seqüência, banhar com água fria, por algumas vezes, os olhos fechados e, depois, enxugar o rosto com uma toalha limpa.


Evite os maus hábitos


 Quando se está fazendo alguma leitura, deve-se segurar o livro, no mínimo, a um palmo de distância do nariz.


 Ler sempre com luz adequada, piscar várias vezes para lubrificar os olhos e olhar para cima alguns segundos, toda vez que chegar ao final de cada página.


 Não fazer nada que prejudique os olhos, como ver televisão durante muito tempo com as luzes apagadas.


 Não ler com o objetivo de estimular o sono. Esse não é um hábito saudável. A leitura à noite, algumas horas antes de dormir, pode estimular o intelecto e prejudicar o sono.


 Ler em ônibus ou no carro é prejudicial ao processo de acomodação dos olhos; evitar esse hábito.


 Não olhar diretamente para o sol. Os olhos são muito sensíveis à radiação solar, o que pode prejudicá-los seriamente. A luz solar somente é benéfica ao nascer e ao pôr-do-sol, quando, então, pode-se fechar os olhos e voltar a face para ele, permitindo que seus raios aqueçam as pálpebras e revitalizem os olhos. Para a ciência yogue, o sol é a fonte de energia vital ou prana, no entanto deve-se evitar a exposição prolongada à luz solar no período das 10 horas da manhã até as 16 horas. Nesse período do dia, é recomendável o uso de óculos de sol com proteção contra raios UVA e UVB.


 A fumaça do cigarro também é prejudicial aos olhos, sua incidência causa irritação, secura, vermelhidão e predispõe à catarata, dentre outros males.


 Evitar olhar para o nada. Sem uma ordem definida no cérebro, os olhos adotam uma posição em que todas as imagens ficam desfocadas, prejudicando os músculos de acomodação.


 Certificar-se de que a tela de seu computador retém a radiação que ela própria produz, ou seja, se há um filtro de proteção que impeça a radiação. Caso contrário, deve-se buscar resolver tal problema, ou, em última instância, amenizá-lo.

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