O ministro José Gomes Temporão (Saúde) comemorou nesta quarta-feira o anúncio do desenvolvimento da primeira linhagem de células-tronco embrionárias 100% nacional. Para ele, o Brasil tem "todas as condições de competir com os países mais desenvolvidos do mundo na pesquisa de novas tecnologias para tratamento de doenças crônicas".
O ministro deu declarações durante o 48º Conselho Diretor da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), realizado em Washington (Estados Unidos).
O resultado faz com que o Brasil avance nas pesquisas de manipulação desse tipo de célula, que tem potencial para se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano.
A equipe, liderada pela pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, conseguiu remover células-tronco de um embrião e fazer com que essas células se multiplicassem in vitro. As primeiras linhagens de células-tronco humanas foram estabelecidas nos Estados Unidos, em 1998.
Em entrevista à agência Efe durante o evento, Temporão ressaltou a necessidade de pactuar temas de trabalho comuns entre os diferentes Estados-membros da organização.
Conselho
Temporão assumiu nesta terça-feira (30) o posto de presidente do conselho da entidade, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas. Temporão é o primeiro ministro brasileiro a assumir o cargo desde 1965.
Antes de Temporão, Raymundo de Britto, ministro da Saúde do governo Castello Branco (1964 a 1967), havia presidido o 16º Conselho Diretor da Opas.
Ao assumir o posto, o ministro brasileiro falou do SUS (Sistema Único de Saúde), que completa 20 anos. "Estou contente de presidir os trabalhos do Conselho Diretor no ano em que comemoramos o 20º aniversário do SUS do Brasil. O SUS é uma grande conquista da sociedade brasileira e um importante instrumento de inclusão social", afirmou o ministro
Entre outros assuntos, Temporão também discutiu sobre a mudança climática, a luta contra o fumo, a relação do consumo de álcool no campo da saúde pública e o atendimento sanitário das crianças.
Além dessas questões, o aumento das rotas dos furacões ou a seqüência de secas e inundações ameaça nos últimos tempos a situação sanitária da região integrada pela América do Norte, América Central, Caribe, América Latina e América do Sul, disse Mirta Roses, diretora da Opas.
O Conselho Diretor ocupa o segundo lugar na hierarquia da Opas, abaixo apenas da Conferência Sanitária Panamericana. Na pauta da reunião deste ano, constam questões de saúde pública que estão em pauta na gestão de Temporão, como controle do tabagismo, diabetes e obesidade, atenção primária à saúde neonatal, entre outros.
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