Quando o assunto é o cérebro, os neurônios são sempre protagonistas. Às células da glia resta o papel coadjuvante de nutrir e dar suporte físico aos pequenos astros. Estudos recentes, entretanto, sugerem que elas são responsáveis por muito mais. Em artigo publicado na revista Science, neurocientistas da Universidade Rockefeller, em Nova York, acabam de provar que, sem as células gliais, os neurônios sensoriais ficam incapazes de captar estímulos.
O estudo foi feito com a C. elegans, uma minhoca muito usada como modelo experimental em diversas áreas de pesquisa. Seu órgão sensorial tem apenas 12 neurônios, normalmente recobertos por células da glia - que foram cuidadosamente removidas pelos cientistas. Resultado: o animal perdeu a noção do perigo. Passou a se aproximar de regiões muito quentes, deixou de evitar odores antes repulsivos, além de ignorar os que sinalizavam alimento.
Os pesquisadores notaram ainda que as terminações de muitos neurônios perderam o aspecto ramificado para se transformar em pequenos nós. Entretanto, o principal resultado ocorreu no nível bioquímico. Observou-se que estas células produzem uma proteína, chamada FIG-1, sem a qual os neurônios ficam insensíveis aos estímulos sensoriais. Os autores acreditam que mecanismo semelhante deve existir também nos vertebrados e no ser humano.
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