Sem se lembrar muito bem do Brasil, onde já se apresentou três vezes, sem vacina contra febre amarela e sem saber que passaria perto da floresta amazônica, a canadense Alanis Morissette, 34, preparou uma turnê por 11 cidades brasileiras, que começa hoje, em Manaus.
"Eu basicamente disse aos meus produtores: 'Quero ir à América do Sul, organizem uma viagem que faça valer a pena ir até lá embaixo e cantar para as pessoas'. E eles voltaram com essa lista de cidades", conta Alanis, por telefone, à Folha, antes de vir ao país.
Já que planejaram passar por perto da floresta, o que a cantora achou "cool", ela resolveu aproveitar --chegou ao Brasil no domingo, com seus dois cachorros chihuahua, e, anteontem, aproveitou para nadar com botos no rio Negro, alimentar macacos e cantar para uma tribo de índios, segundo a assessoria da turnê.
Disposta a "descobrir" mais sobre cada cidade in loco, a cantora passará ainda por Brasília, Fortaleza, Teresina, Recife, Salvador, São Paulo, Rio, BH, Florianópolis e Porto Alegre.
"Todos os sucessos"
E o que o público pode esperar de diferente em relação ao show de 2003, o mais recente da cantora por aqui? "Muito mais músicas", diz ela. "O show passa por 20 anos de música", diz a cantora que começou na adolescência. "Vamos tocar todos os antigos sucessos."
Em detalhes: ela promete tocar cerca de cinco músicas do novo álbum, "Flavors of Entanglement", motivo da turnê, mas que ficará apenas com 25% do show; outros 25% de músicas inéditas, que ainda não gravou; e 50% de antigos hits, como "You Oughta Know", "Hand in My Pocket", "Ironic", "Thank U", "e muitas outras". "Com um pouco de acústico" também.
A decisão é a mais segura que Alanis poderia tomar: foram os antigos sucessos, concentrados principalmente no CD "Jagged Little Pill", de 1995, que conquistaram os seus fãs brasileiros e mundiais.
Não por acaso, o álbum, que vendeu mais de 30 milhões de cópias pelo mundo e rendeu a ela quatro Grammys, chegou a ganhar versão acústica dez anos após o seu lançamento.
E, apesar de afirmar ter "mais uns dois discos prontos" para serem gravados, Alanis deve demorar um pouco para lançar outro CD inédito --após esta turnê, a compositora diz querer voltar a investir no seu lado atriz (já fez participações em séries como "Sex and the City" e o célebre papel de Deus em "Dogma", de Kevin Smith) e publicar sua autobiografia, que já está escrita.
Abuso, drogas e magreza
"Preciso parar de fazer turnês e gravar por cinco minutos para poder me concentrar no livro. Mas está pronto, 2009 é o ano do livro." Alanis, que sempre marcou suas músicas com autorreferências, irá expor ainda mais detalhes sobre seu passado em sua biografia.
De acordo com a cantora, ela contará na obra que já foi abusada sexualmente, sofreu de bulimia e anorexia e teve experiências com drogas. "Ainda jovem, sim. Escrevi muito sobre isso no livro. E foquei em me curar e crescer, cuidar muito de mim mesma."
Alanis diz que divide suas experiências com o mundo para fazer um "serviço". "Sempre que me concentro em mim mesma, tudo o que faço tem que ter algum objetivo, fazer algum serviço para ser valioso. Se escrevo sobre minha própria clareza, descoberta ou cura, ofereço isso para outras pessoas. Nunca é só sobre minha jornada, é também sobre oferecer minhas descobertas a outras pessoas."
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