A infecção pelo HIV - vírus da Aids - aumenta a severidade da aterosclerose tanto quanto outros fatores de risco cardiovascular, como o hábito de fumar e o diabetes, segundo estudo apresentado este mês na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, no Canadá.
Diversos estudos indicam que pessoas com HIV são mais propensas à doença cardíaca. Porém, segundo especialistas, os mecanismos relacionados a esses efeitos ainda não são completamente entendidos. O novo estudo sugere que o espessamento das artérias por inflamação ou formação de placas pode cumprir um papel nessa relação entre HIV e doenças cardíacas.
Comparando a espessura da artéria carótida de 433 pacientes HIV-positivo com mais de cinco mil pessoas saudáveis HIV-negativo, os pesquisadores descobriram que os pacientes tinham significativamente maior espessamento da artéria, comparados com pessoas do controle (1,17mm, contra 1,06mm).
Após considerar os tradicionais fatores de risco cardiovasculares, incluindo tabagismo, diabetes, pressão alta e altos níveis de lipídios no sangue, o efeito da infecção pelo HIV no espessamento da carótida pareceu mais fraco, mas ainda relevante. Além disso, o efeito do HIV pareceu ser maior nas mulheres.
Os pesquisadores estimam que a infecção pelo HIV aumenta a extensão da aterosclerose independentemente de outros fatores, e no mesmo nível de outros tradicionais fatores de risco cardiovasculares. Baseados nos resultados, eles ressaltam que o risco cardiovascular nesses pacientes é um fenômeno multifatorial, envolvendo tanto fatores do paciente quanto do vírus.
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