É de Sonia Rykiel um dos importantes elementos da imagem - quase um inconsciente coletivo - da francesinha charmosa, casualmente vestida com sua malha de tricô que revela o contorno do corpo, com listras clássicas em preto e branco ou simplesmente em preto. A estilista, que no final dos anos 60 inventou e disseminou a modelagem da malha de tricô justa, tem portanto, credenciais para merecer a retrospectiva que o Museu de Artes Decorativas do Louvre, em Paris, faz de sua contribuição para a moda, até o próximo dia 19 de abril.
A exposição faz um apanhado dos quarenta anos de carreira de Rykiel desde 1968, quando abriu sua primeira loja no bairro de Saint-Germain des Prés. Passa pelos anos 70, época em que criou as primeiras roupas do avesso, com costura aparente, e também quando, a despeito da tendência pós-pop dos anos 60 e da hippie, ambas coloridas, elegeu o preto como a cor principal de suas coleções.
Além da malharia, marca-registrada da criadora, o uso das listras, em diferentes versões, é outro motivo pelo qual a grife ficou conhecida. "A listra é a memória do corpo", afirma Rykiel, numa de suas boas declarações espalhadas pelos textos da exposição.
Em 220 modelos que vão da série de pullovers justos e coloridos criados em diferentes coleções ao longo de quatro décadas aos 30 modelos desenhados pelo mesmo número de estilistas famosos para o desfile comemorativo do aniversário de carreira da grife, a exposição mostra a relevância da estilista francesa que não pretende revolucionar, mas fazer com que a moda evolua. "Acredito que minha moda tenha este poder: fazer notar o rosto, sem se fazer notar", é uma de suas frases que resume seu papel dentro do universo fashion criativo.
Além de roupas, a retrospectiva conta ainda com uma entrevista de TV feita com a estilista por Andy Warhol, em 1981, e uma série de retratos de Sarah Moon.
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