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Fotofobia pode ser sintoma de conjuntivite ou alergias

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Na casa do escrivão Igor Santos, 27, a luz do sol não é bem-vinda. Todas as janelas têm película escura para impedir sua entrada. Já o publicitário Carlos Aranha, 27, escolheu uma decoração atípica contra a forte luminosidade do escritório: uma espécie de guarda-sol em formato de folha o protege das lâmpadas. Sem óculos escuros, o estudante Lucas Correia, 21, mal consegue abrir os olhos na rua. "Antes eu ficava como um bobo andando com o olho apertado pela rua, mas achava que era normal", diz Correia. "Para mim, fotofobia era uma coisa mais grave."


Entretanto, ao contrário do que a palavra (foto=luz, fobia=medo) faz pensar, não se trata de medo da luminosidade, mas de uma sensibilidade exagerada à luz, solar ou artificial.


Segundo o professor de oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo Ricardo Uras, pode ser ainda um sintoma de complicações oculares, como conjuntivite e alergias. "Sarada a doença, ela desaparece", diz. Segundo ele, é importante consultar um especialista.


Foi o que fez a jornalista Stephanie Borges, 24, assim que notou que a luz estava lhe causando dor de cabeça e sensação de ter areia nos olhos.


Diagnosticado o cansaço visual, a solução foi a ortóptica, uma espécie de fisioterapia para os olhos que, no caso dela, resolveu o cansaço muscular e amenizou a intolerância.


Quando a fotofobia aparece ligada a distúrbios oculares como astigmatismo ou cicatrizes na córnea -como as deixadas por cirurgias corretivas de miopia feitas antes do aparecimento do laser- não há tratamento específico. O jeito é conviver com a hipersensibilidade.


Lucas Correia, que tem astigmatismo, descobriu a condição em uma consulta oftalmológica. Por recomendação médica, usa lentes fotossensíveis (que escurecem na presença de raios UV), mas observa que elas não são boas para dirigir, porque reagem pouco quando o sol não incide diretamente no rosto.


Para dirigir à noite, segundo o oftalmologista Newton Kara, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, lentes amarelas são mais indicadas por filtrarem a luz dos faróis.


As fotossensíveis são uma boa opção para ficar em casa porque escurecem um pouco em luz artificial. Na rua, os óculos escuros são a melhor proteção. Essas lentes especiais podem ser indicadas por médicos ou compradas em óticas, mas é preciso ter cuidado com a qualidade. Proteção contra raios UV é indispensável porque os óculos mais escuros fazem com que a pupila se dilate e fique mais exposta aos raios solares.


Parte das pessoas que sofrem de aversão à luz, no entanto, tem o olho perfeitamente saudável -apenas mais sensível. A recomendação número um dos médicos, nesses casos, é usar óculos escuros.


Igor Santos segue à risca o pedido e deixa os seus pendurados na camisa para não esquecê-los. Além de películas nas janelas, evita até passar próximo a muros brancos, que refletem mais a luz, e já chegou a usar óculos escuros em sala de aula para fugir das lâmpadas fluorescentes. "Sinto muita dor atrás do olho, no meio da cabeça, com qualquer luz muito forte ou diferenças muito grandes de iluminação", relata.


Carlos Aranha também enfrenta problemas em ambientes fechados. Tanto que, quando recebeu uma verba da empresa em que trabalha para decorar sua mesa de forma criativa, seu primeiro investimento foi a folha de brinquedo.


Em casa, mantém as luzes apagadas a maior parte do tempo e prefere luminárias e abajures a lâmpadas convencionais.


No caso de pessoas como Santos e Aranha, Newton Kara afirma que a sensibilidade funciona como uma proteção do corpo. Segundo ele, o mecanismo é o mesmo que faz com que algumas pessoas sintam mais dor ou mais frio do que outras.


"A retina, que seria danificada por essa exposição ao sol, não sente dor, mas diz para o cérebro que está sofrendo. Ele manda, então, um impulso para o corpo inteiro dizendo "se protege!'", explica. Segundo ele, é mais comum que a sensibilidade apareça em pessoas com olhos claros, mas não é regra.


Especializada em iluminação, a arquiteta Neide Senzi ressalta que a correção de pequenos erros pode ajudar a tornar a luz de um ambiente mais agradável. A luz indireta, por exemplo, pode provocar sensação de desconforto se mal utilizada. "As superfícies que vão refletir a luz também precisam ser levadas em conta. Nas muito refletoras, a luz indireta não deve ser utilizada e os focos jamais devem estar na direção das pessoas", diz.

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