Um estudo realizado pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), em São Paulo, comprova que apenas dois a cada dez pacientes com pressão arterial abaixo de 140 x 90 mmHg estão dentro das metas preconizadas para seu caso - sem fatores de risco, como sobrepeso, colesterol alto e diabetes - e, portanto, mais protegidos contra eventos cardiovasculares. No estudo, com o tratamento, 31% atingiu nível de pressão abaixo de 14 por nove, mas apenas 6% apresentaram colesterol, glicemia e pressão dentro dos níveis adequados.
"Isso é, somente 6% dos pacientes estavam realmente com seus principais fatores de risco cardiovascular controlados. Se quisermos a redução do risco cardiovascular, necessitamos aumentar a identificação e tratar adequadamente todos os fatores de risco e comorbidades que estejam presentes nos pacientes com hipertensão arterial", afirma o médico Flávio Borelli, do IDPC.
Segundo os especialistas, oito em dez pacientes com pressão abaixo de 14 por nove apresentam os valores da pressão fora das metas, combinados com um fator de risco para problemas cardiovasculares. São os chamados hipertensos de difícil controle. Essa população ganhou uma importância tão grande que a American Heart Association publicou uma diretriz para identificação, abordagem e tratamento dos casos de hipertensão arterial de difícil controle.
Atualmente, a hipertensão é responsável por 40% dos infartos, 80% dos acidentes vasculares cerebrais e por 25% dos casos de insuficiência renal terminal. O médico destaca que o tratamento adequado da hipertensão de difícil controle pode evitar, além desses eventos cardiovasculares, a insuficiência cardíaca, o acidente vascular encefálico e o aneurisma da aorta.
"Em resumo, estilo de vida saudável, diagnóstico mais acurado e tratamento apropriado de causas secundárias identificáveis, além de um regime terapêutico múltiplo, são os quatro pilares de sustentação da possibilidade de maior sucesso no controle da hipertensão arterial dita resistente, permitindo, assim, diminuir a morbidade e mortalidade cardiovascular", acrescenta Borelli.
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