Há décadas cientistas notaram que humanos maduros se parecem fisicamente com chimpanzés imaturos; como eles, nós também temos mandíbulas pequenas, rostos achatados e poucos pelos no corpo. A conservação de feições infantis ─ chamada neotenia pela biologia evolucionária ─ é notada particularmente em animais domesticados. Graças à preferência dos humanos, muitas raças de cães têm feições de filhote, como orelhas caídas, focinho curto e olhos grandes. Atualmente, evidências genéticas sugerem que a neotenia pode ajudar a explicar porque os humanos são tão diferentes dos chimpanzés, embora as duas espécies compartilhem, em grande parte, os mesmos genes e tenham se separado há apenas seis milhões de anos, um tempo curto em termos evolucionários.
Em animais, a neotenia aparece devido a atrasos no desenvolvimento, observa o biólogo molecular Philipp Khaitovich, do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha. Os humanos, por exemplo, amadurecem sexualmente cerca de cinco anos depois dos chimpanzés, e nossos dentes nascem mais tarde. "Mudanças nas etapas do desenvolvimento são alguns dos mecanismos mais eficientes que a evolução pode utilizar para remodelar organismos, com poucas ocorrências moleculares," explica.
Para conseguir evidências de que a neotenia representou papel importante na evolução do Homo sapiens, Khaitovich e seus colegas compararam a expressão de 7.958 genes do cérebro de 39 humanos, 14 chimpanzés e nove macacos rhesus. Eles coletaram amostras do córtex pré-frontal dorsolateral ─ região ligada à memória, relativamente fácil de ser identificada no cérebro de primatas. Os tecidos foram obtidos de pessoas e animais que morreram com diferentes idades, da infância à meia-idade, permitindo que os pesquisadores verificassem as mudanças nas atividades genéticas de cada espécie, ao longo do tempo.
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